Não há mãe ou pai que não quer o melhor para o seu filho. Mas ter sucesso, hoje, não é o mesmo que há algumas décadas, daí que a educação tenha de mudar, quer seja dada pelos pais ou facultada pelas escolas. Este foi o ponto de partida para o livro "Meu filho, teu futuro", escrito pela professora de ciência cognitiva Roberta Michnick Golinkoff e pela psicóloga educacional Kathy Hirsh-Pase, publicado pela editora Cultura.

Na obra, escrita a quatro mãos, as investigadoras são unânimes. "Encher a cabeça com factos não é o segredo num mundo em que os factos estão, literalmente, acessíveis na ponta dos nossos dedos", defendem. "Com o Google e a Wikipédia à distância de um clique, qualquer um de nos pode facilmente descobrir a resposta para, virtualmente, qualquer pergunta. E tudo isto numa questão de segundos", sublinham as duas especialistas.

"Certamente, ainda há coisas que precisamos de memorizar, como o alfabeto ou a atabuada", realçam Roberta Michnick Golinkoff e Kathy Hirsh-Pase no livro que escreveram. "Mas o problema real que hoje enfrenta a criança moderna ou os pais modernos é apenas este. Como ordenamos, estabelecemos prioridades e fazemos uso de toda a informação que recebemos todos os dias?", questionam as duas académicas americanas.

As competências comportamentais que não podem ser descuradas

Depois de terem analisado os últimos estudos na área das ciências da aprendizagem e de desenvolvimento infantil, as investigadoras americanas apontam a colaboração, a comunicação, o conteúdo, a capacidade de pensamento critico, a criatividade inovadora e a confiança como as seis competências-chave para que as crianças sejam adultos bem-sucedidos no futuro. Na altura de as nomear, deram-lhe a designação de Seis C.

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A letra refere-se a colaboração, comunicação, conteúdo, pensamento crítico, criatividade inovadora e confiança, que, como dizem "melhoram as nossas probabilidades de sucesso, porque cada competência é construída a partir das restantes".

São as chamadas soft skills (características comportamentais e sociais) e que serão a base para as famosas hard skills (habilidades técnicas, como o conhecimento de tecnologia, de matemática ou de geografia, só para citar alguns exemplos). Na verdade, serão as primeiras que irão a diferenciar os humanos dos robôs.

Além disso, são transversais a todos os tipos de aprendizagem, das formais às informais e, na opinião das investigadoras e dos inúmeros especialistas que têm subscrito publicamente a sua tese, muito uteis não só na vida profissional como na pessoal. "Os Seis C ampliam a visão que temos do sucesso, que é mais vasta e inclui crianças felizes, saudáveis, pensante, atenciosas e sociáveis", dizem as autoras na obra que escreveram.

O caminho global que é preciso percorrer

As duas investigadoras norte-americanas acreditam piamente que este é o caminho a seguir a nível global mas estará Portugal também no caminho certo? "O ensino nos Estados Unidos da América é muito diferente do nosso e o mundo empresarial também, mas imagino que será este o caminho também no nosso país e isso já se vê sobretudo nas multinacionais que aqui se instalaram", responde Isabel Gonzalez Duarte.

"Os Seis C são muito importantes. São características que podem fazer sobressair uma pessoa em relação a outra, sobretudo, a criatividade, o pensamento critico e a confiança. Já não estamos na era do emprego para a vida e as pessoas têm de sobressair", explica a psicóloga clínica e psicoterapeuta lusa. Para Isabel Gonzalez Duarte, "uma criança que reúne essas seis capacidades é equilibrada emocionalmente", considera a especialista.

Para esse equilíbrio, a atuação dos progenitores e dos educadores no quotidiano dos mais novos é decisiva. "Os pais têm um papel preponderante para que isso aconteça e podem potenciar essas capacidades, que irão fazer com que alcancem os seus objetivos e dar respostas aos desafios", realça a especialista E como é que isso se faz? "Faz-se a serem pais, a educar, a estimular e a estarem presentes", salienta a psicóloga e psicoterapeuta.

Texto: Rita Caetano

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