No estudo e na educação não há sorte. Há trabalho e preparação. Os objetivos não se atingem apenas por eles próprios. Exigem esforço e dedicação.

 

Mostre ao seu filho que valoriza a sua aprendizagem e estará a lançar as bases de uma boa vida académica.

 

Se acompanhar o seu filho e aplicar, nos estudos, alguns princípios que põe em prática na gestão da sua casa, chegará ao próximo verão sem crises familiares por causa do desempenho escolar. Lembra-se de como se sente quando regressa ao trabalho depois das férias? Nos primeiros dias custa a arrancar.

 

Passar dos dias preguiçosos do verão para o espartilho de horários e atividades com hora marcada é igualmente complicado para as crianças que podem, para além do mais, sentir um nervoso miudinho por causa do regresso às aulas, do reencontro com os amigos ou de uma mudança de escola. Começar com o pé direito vai dar-lhes o impulso e a motivação de que precisam para se aplicarem ao máximo.

 

Equipe bem os seus filhos


Pode até parecer fútil, mas não é. Começar o ano com cadernos e livros novos, material escolar a brilhar e a mochila da moda, incentiva mesmo as crianças a estudar. Se ainda não comprou tudo, vá às compras com o seu filho, depois de terem feito uma lista do que ainda falta e, tendo em conta o seu orçamento e o que já gastou até agora, deixe-o tomar decisões.

 

Se ainda não o fez, forre-lhe os livros. Ensine-o a cuidar do material, pelo qual fica responsável. Folheiem juntos os livros e material didático, incentivando-o a descobrir as matérias que vai aprender.

 

O mini-escritório


É fundamental que tenha em sua casa, no quarto do seu filho ou noutro espaço, um cantinho só para os estudos. Aí deve ter uma secretária e cadeira, uma estante para os livros, cadernos, lápis e canetas, material de pintura e um calendário para anotar datas de testes e trabalhos. A secretária, que deve ser adaptada à altura da criança, deve receber a luz natural do lado esquerdo e ter um candeeiro também desse lado. Se tiver mais do que um filho, podem partilhar a secretária, mas devem ter áreas de trabalho distintas.

 

Incentive-o a adoptar uma postura correta, com as costas direitas e o rabo encostado ao espaldar da cadeira, sem cruzar as pernas e com os pés ligeiramente elevados. Nos níveis mais avançados, um computador com acesso à internet é um bom investimento, mas deve ser usado sob supervisão de um adulto, que deve explicar à criança que não pode partilhar os seus dados pessoais nem expor a sua vida.

 

Evite instalar o computador no quarto para não alienar a criança. Entre regularmente neste universo deste escritório em miniatura, para que ela perceba que os pais valorizam os seus esforços. 

O que vestir?


Setembro é uma boa altura para fazer uma vistoria aos roupeiros e dar o que já não se usa, sendo provável que haja muita roupa que já não serve. Um bom método é fazer uma lista daquilo que ele precisa e ir substituindo ao longo do ano. Se não usa farda ou a escola não tem restrições quanto à indumentária, o mais provável é ter de investir em roupas do estilo ou da marca que a criança mais gosta.

 

Conversem em casa sobre o que ela gostava de ter e transformem essa tarefa num passeio familiar, com um orçamento e lista de compras definidos à partida.

 

Diariamente, limite ao máximo as ponderações sobre que roupa usar antes de sair de casa, deixando as toilettes escolhidas no dia anterior e a mochila pronta, com os equipamentos necessários. Assim perde menos tempo.

 

De barriga cheia


No dia a dia nada melhor que começar com um bom pequeno-almoço, que se converte em energia para brincar, estudar e pensar. Esta é a refeição mais importante para o seu filho e deve ser variada e incluir cereais, laticínios, fruta ou legumes e proteína.

 

Seja criativo e evite os alimentos processados. Um truque muito útil para não perder tempo é servir o
pequeno-almoço apenas quando o seu filho estiver vestido, incluindo meias e sapatos ou acessórios. E se tomarem todos o pequeno-almoço em família, em vez de engolirem a comida à pressa, o dia começa ainda melhor.


Notas e comportamentos


É importante que discuta com o seu filho quais são as expetativas que tem em relação às suas notas e comportamento, bem como face a eventuais castigos na escola e quais serão as recompensas ou punições em casa. As suas expetativas devem ter em conta os resultados de anos anteriores ou, se este é o primeiro ano na escola, vá navegando à vista, como se diz.

 

Mesmo que as notas sejam baixas a alguma disciplina, valorize o esforço para recuperar, ajude-o a estudar ou contrate um explicador. Se houver mau comportamento, faltas por justificar ou atrasos na entrada na escola, lide com isso imediatamente.

 

A criança deve saber antecipadamente com o que pode contar, sejam castigos ao fim de semana, restrições ao uso do computador ou trabalhos adicionais em casa. Opte pelo que resultar melhor com a sua família. 

Pais presentes


«O progresso de um aluno relativamente aos conteúdos programáticos tem como condicionante uma base social e emocional bem estruturada e consolidada», sublinha Ana Gregório, professora do 1º Ciclo do Ensino Básico.

 

Por isso, envolva-se, recomenda a professora. É muito importante que os pais acompanhem os seus filhos.

 

Devem fazê-lo tanto na preparação do ano letivo, como «todos os dias», sublinha Sofia Diniz, professora de Língua Portuguesa do Ensino Secundário.

 

Este é um dos truques para obter bons resultados. Os pais «devem dar uma vista de olhos às cadernetas todas as semanas, ir perguntando se há recados novos e escrever aos diretores de turma sempre que têm dúvidas ou querem fazer sugestões», acrescenta.

 

Já Ana Gregório considera que são precisos «pais presentes, mas não sufocantes. Hoje não há disponibilidade física e consequentemente psíquica para ajudar os filhos diariamente nas tarefas escolares», lamenta.

 

Sempre a aprender


Brincar faz também parte da aprendizagem. «É preciso brincar para estimular as capacidades de aprendizagem. Os pais podem e devem ser incluídos e incluírem-se em todo o processo de aprendizagem dos seus filhos», sublinha Ana Gregório.

 

No nível em que lecciona as crianças são geralmente mais curiosas, por isso, dá o exemplo dos jogos matemáticos que se podem fazer até num elevador, o que permite que os pais se apercebam das facilidades ou dificuldades dos filhos, que aprendem assim a contextualizar a teoria.

 

Qualidades essenciais


O que Sofia Diniz, professora há 13 anos, mais valoriza nos alunos são «as suas capacidades e a sua vontade e dedicação». Nos pais, valoriza «a relação que têm com os filhos e que, de facto, se vê pela educação que lhes é transmitida e que se torna evidente no contacto do dia a dia».

 

Já Ana Gregório considera que um bom aluno é tendencialmente «sinónimo de uma criança feliz. Um bom aluno é empenhado, por vezes inoportuno, manifesta as suas preferências face a determinado tipo de atividades, porque tem opinião e transmite- a. Um bom aluno obtém bons resultados e até alguns excelentes». É igualmente importante, frisa, que «as expectativas que temos em relação às crianças sejam coerentes com o seu estádio de desenvolvimento».

Diz-me com quem andas... 

 

Os pais «devem tentar conhecer os colegas e amigos dos filhos e fomentar o convívio, mesmo para situações como trabalhos de grupo e estudo para testes», recomenda Sofia Diniz.

 

Pode ser difícil guiar os seus filhos na escolha de amigos, mas pode incentivar as boas relações e afastar as más influências, que podem contribuir para um desleixo ou até para uma desmotivação do aluno.

 

Convidar os seus colegas para lanchar ou almoçar em casa, é uma boa maneira de os conhecer. A boa educação, bom comportamento na escola e a compreensão da importância dos estudos são alguns dos aspetos para os quais deve sensibilizar o seu filho.

 

É claro que ele é livre de escolher os seus amigos, mas é dever e responsabilidade dos pais definir um conjunto de valores e comportamentos aceitáveis.

 

Aprender a estudar

 

Também no estudo, a organização e a ajuda dos pais são fundamentais. O seu filho deve alinhar diariamente as matérias e o estudo e rever a matéria dada para não a deixar acumular. Em quatro passos, devem anotar no calendário os trabalhos para casa (TPC) e as datas em que têm de os entregar, assim como as datas e as matérias para os testes.

 

Os materiais necessários para fazer os TPC devem vir para casa e os trabalhos devem ser concluídos (sem ser à pressa) antes de qualquer outra atividade. Por último, os materiais que serão necessários no dia seguinte devem ficar preparados, dentro da mochila, colocada sempre no mesmo sítio.

 

Texto: Joana Andrade com Ana Gregório (professora do 1º Ciclo do Ensino Básico) e Sofia Diniz (professora de Língua Portuguesa do Ensino Secundário)