A enurese noturna é a perda involuntária de urina em crianças que já deveriam conseguir controlar a bexiga, ou seja, com 5 ou mais anos de idade. Mas, ao contrário do que muitas vezes se pensa, normalmente não tem origem em questões do foro psicológico.

“Quando surgem problemas psicológicos, tais como stresse ou ansiedade, são a consequência de se culpabilizar e envergonhar a criança por algo que é involuntário”, explica Rosa Gouveia, vice-presidente da Sociedade de Pediatria do Neurodesenvolvimento (SPND), em entrevista à DECO PROTESTE.

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É preciso ter consciência de que a enurese não é culpa da criança e que, na maioria dos casos, não tem associada nenhuma doença. No entanto, recorra a um médico se a criança continuar a molhar a cama com frequência ou se voltar a fazê-lo, após semanas ou meses sem problemas.

O que é a enurese primária

A enurese primária é mais comum, ocorre em crianças que nunca conseguiram controlar a bexiga e têm uma predisposição genética para tal.

As causas da enurese primária não são completamente conhecidas. De acordo com alguns estudos, se um dos progenitores teve enurese, os seus filhos terão 44% de probabilidade de a desenvolver. A probabilidade sobe para 77%, se ambos os pais passaram por esta situação.

Outra das causas da enurese primária pode ser a hiperatividade do músculo detrusor, localizado na parede da bexiga, que se contrai para expulsar a urina.

Também a possível imaturidade no desenvolvimento da criança pode traduzir-se na “incapacidade para enviar, perceber e dar resposta a sinais que indicam que a bexiga está cheia”, explica Rosa Gouveia.

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O que pode causar a enurese secundária

Surge após um período de, pelo menos, seis meses sem perdas. As causas estão associadas a problemas como infeções no sistema urinário, parasitas intestinais, diabetes ou acontecimentos stressantes.

A apneia obstrutiva do sono – interrupção da respiração enquanto dorme – é outra das causas possíveis, sobretudo em crianças que ressonam com frequência, que sofrem de obesidade, de hipertrofia adenotonsilar (adenóides e amígdalas aumentados) ou, ainda, que respiram preferencialmente pela boca.

Soluções mais recomendadas pelos médicos

Dados internacionais indicam que, dos 5 aos 6 anos, cerca de 15% das crianças têm enurese noturna. A partir desta idade, a resolução espontânea é de 15% ao ano, sendo que quanto maior for a duração do problema, menos provável é a resolução espontânea.

Pode começar por experimentar a terapia motivacional: registe num gráfico, por exemplo, com smiles quando houver, ou não, perdas. Mantenha-o acessível à criança e dê recompensas, previamente acordadas, quando a cama permanecer seca.

Os alarmes urinários (dispositivos com um sensor que emitem um som quando a criança começa a fazer chichi) “têm constituído o tratamento preferencial, pela sua eficácia, facilidade de utilização e baixa taxa de recidiva”, garante Rosa Gouveia.

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O som do alarme acorda a criança, que, por sua vez, interrompe a micção. Pretende-se, assim, desencadear um reflexo que permita acordar com a sensação de bexiga cheia, antes de começar a urinar. Segundo vários estudos, dois terços das crianças que usam o dispositivo deixam de fazer chichi na cama.

A desmopressina (medicamento com efeito antidiurético) também reduz de forma rápida o número de “noites molhadas” por semana, mas os estudos revelam que a enurese tende a voltar após a interrupção do tratamento.

Contudo, desdramatize a situação. Na maioria dos casos, a enurese desaparece sem tratamento.

7 pequenos truques caseiros

Há um conjunto de medidas que podem ser facilmente aplicadas.

  • Crie rotina de a criança fazer chichi antes de ir para a cama. Lembre-a de que, durante a noite, deve acordar e usar o WC quando necessário.
  • Coloque luzes de presença no quarto e no caminho para a casa de banho.
  • Pare de usar fraldas e cuequinhas de transição, especialmente a partir dos 8 anos. Pode fazer uma exceção aquando de visitas de familiares ou amigos.
  • Envolva a criança na mudança da cama. Pode, por exemplo, tirar o lençol molhado ou ajudar na lavandaria.
  • Distribua a ingestão de líquidos pelo dia. Evite que a criança beba muitos líquidos antes de dormir.

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