Temos tendência a ver as coisas com os nossos olhos e, no meio desta espécie de autismo em que muitas das vezes acabamos por viver, esquecemo-nos, em muitos casos, de nos pôr no lugar dos outros. Não foi, no entanto, o que fez Philip Barlow, o pintor nascido e criado na África do Sul, que desenvolveu um projeto de pintura que confronta as pessoas que não têm problemas de miopia com uma condição que desconhecem.

Os míopes veem o mundo com formas distorcidas e, para alertar os outros para essa diferença, o artista, um obcecado pela cor que pretende com a sua obra retratar a essência da vida, pintou uma série de quadros que pretendem incentivar à reflexão. "A ligeira abstração [da realidade] que ocorre quando alguém tira uma fotografia desfocada de uma cena [do quotidiano] gera um mistério que é uma analogia da vida", justifica.

As obras hiper-realistas, que começou a pintar em 2003 e que pode ver na galeria de imagens que se segue, têm atraído atenções. "Muitas vezes, pensamos que temos as coisas sob controlo, mas a vida é muito misteriosa e há beleza nesse mistério. Muitas vezes, está no desconhecido e nós [até] lutamos para conseguir lidar com ele mas, no meio de toda essa abstração, acabamos por nos perder nos detalhes", refere ainda.

"Se olharem para as minhas pinturas com atenção, vão, ainda assim, conseguir identificar as formas e perceber o que é retratado, uma vez que há um forte sentido de detalhe [nos meus trabalhos]", garante Philip Barlow, 50 anos, casado e pai de duas crianças. Continuar a explorar o poder da cor é uma das pretensões do pintor. "Sinto que ainda só estou a dar os primeiros passos numa caminhada de 100 quilómetros", desabafa.

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