Uma avó e várias mães solteiras do centro histórico do Porto ganharam pequenos talhões para cultivar hortaliças com a ajuda dos filhos e o objetivo é produzir legumes biológicos e aprofundar laços de família através do trabalho agrícola.

“A gente semeia e colhe. No fim do mês vemos os lucros do nosso sacrifício, que anda à volta de 25 a 30 euros”, contabiliza Cândida Azevedo, 55 anos, que cultiva com a filha Elizabete e o neto Pedro, de seis anos, favas, nabiça, couve penca, alface, ervilhas, brócolos e alho francês.

O pedaço de terra, de dois metros quadrados de dimensão, que foi atribuído a Cândida Azevedo no âmbito do projeto “Porto Verde”, uma parceria entre “Manobras” “Movimento Terra Solta”, está a ser uma experiência gratificante tanto a nível da autossuficiência e economia caseira, como ao nível da relação emocional com os descendentes.

“Há três meses que não gasto dinheiro em hortaliças”, adianta a avó solteira, que enquanto espera por entrar num curso das Novas Oportunidades sobre Agricultura Biológica vai confecionando sopas e esparregados para a família.

Ao talhão de Cândida, junta-se o talhão de Paula Peça e do filho Pedro, de 10 anos de idade, o talhão de Sónia Gonçalves e das suas filhas Iara de seis anos e Daniela de 11 e o talhão de Faustina e do filho Pedro, de 11 anos. O lar de idosos de Centro Social e Paraquial da Vitória, a creche e a Casa da Amizade dos Sem Abrigo também receberam terra para cultivar, conta à Lusa Joana Lima, uma das mentoras do projeto das hortas comunitárias no centro histórico do Porto.

Aquele conjunto de talhões foi batizado de “Horta da Vitória” e está localizada num pátio do Centro Social e Paroquial da freguesia da Vitória, no centro histórico do Porto. Há também a “Horta da Lada, na freguesia de S. Nicolau, junto às escadas da Lada, onde o terreno abandonado foi transformado em área de cultivo com sete talhões.

“Este projeto começou por identificar os espaços vazios do centro do Porto, fossem públicos ou privados, cultivados, abandonados e depois de decidirmos cultivar os espaços foi definido um perfil e optou-se por entregar as terras às mães solteiras e aos seus filhos.

“Ajudar a criar uma relação mais afetiva entre mãe/filho, criando momentos de família e dar alguns meios para a auto-subsistência foi um dos objetivos principais do projeto”, explica Joana Lima, recordando que muitas das crianças nem sequer tinham tido sequer contacto com a terra.

O futuro do projeto passa por aumentar a rede se hortas comunitárias. “Gostávamos que as pessoas produzissem o suficiente para começar a criar também pequenos mercados e poder escoar o que cultivam.

 

19 de janeiro de 2012

@Lusa 

 

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