”Claro que é normal a mulher ver pornografia na internet. É tão natural como o homem ver. Curiosidade sexual, expansão das fantasias, vontade de se masturbar, querer descobrir novas coisas, isso é natural para homens e mulheres”. “É ridículo quem ainda acha que sexo e, principalmente, tudo o que seja um pouco mais ousado, é um direito do homem... Preconceito absurdo mesmo. Somos todos livres”.”Ver pornografia, desde que dentro de limites (sem ser violações, pedofilia, etc) é algo plenamente saudável, desde que tenha momentos para isso e que não tome conta da nossa vida. Quando é algo obsessivo, é pouco saudável tanto para homens como para mulheres”.

Testemunhos, todos no feminino, de que o consumo da pornografia, principalmente, na internet, tem crescido sem preconceitos nem…”spam” moral.

Estima-se, inclusive, que 40% dos consumidores mundiais de filmes porno sejam mulheres, facto que terá forçado alterações a nível de enredo e imagens, já que “elas são mais exigentes com o conteúdo, querem história, enquanto no caso masculino, os filmes começam logo com nus”, revela uma produtora experiente nesta área, mas cujo nome não quis revelar.

Para a nossa fonte “a pornografia feminina é menos explícita e o erotismo impera”. Este investimento da mulher, de tempo e dinheiro em pornografia, pode ter uma razão de ser: será a busca da satisfação sexual, desejos recalcados, vingança pelo sentimento de inferioridade que muitas possuem pelo facto dos maridos verem pornografia? Pesquisa da Universidade da Flórida, nos Estados Unidos, defende que o consumo de filmes, fotos e artigos pornográficos por eles influencia a auto-estima delas, pois temem comparações a nível de performance sexual.

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Ana Alexandra Carvalheira, presidente da Sociedade Portuguesa de Sexologia Clínica, explica que “para as mulheres o importante é o erotismo, o contexto, a história e não a imagem explícita, o filme feito de fragmentos e de pequenos elementos como para os homens. A mulher vê a pornografia para entretenimento, curiosidade, mas também para motivação sexual, alívio de tensão e para se masturbar”.

Outra das questões levantadas por diversos estudos relacionados com esta temática, e também pela produtora de filmes porno, é que um dos objetivos dos mesmos é “dar o máximo prazer a quem os vê”, pelo que “depois de alguém se masturbar e ter o seu orgasmo, poderá perder o interesse no sexo”. A sexóloga discorda, pois “a mulher procura uma história no filme pornográfico. O erotismo feminino é feito de romance, de uma promessa e, muitas vezes, também vai em busca de fantasias menos comuns, mas não lhe retira prazer do ato em si na vida real”.

A nossa interlocutora reitera ainda que “a internet veio permitir um maior acesso e uma maior diversidade da pornografia, pois a mulher, antigamente, não ia à secção de vídeos pornográficos selecionar um para levar para casa. Agora pode aceder aos mesmos, de forma gratuita e a qualquer hora do dia ou da noite, facto que por si aumenta o consumo”, mas está longe de ser “comparável com os números de pornografia masculina”.

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Unânime parece ser a ideia de que o consumo de pornografia pode tornar o ato sexual em si mais criativo e, mesmo a nível de “taras obsessivas”, este pode ser um canal de escape e de auto-satisfação.

Em nota final, um estudo peculiar norte-americano compara o estatuto das mulheres nas sociedades com as imagens que protagonizam nos filmes pornográficos. Foram comprados três países com níveis diferentes de poder feminino: a Noruega é a número 1, os EUA é o nº 15, e o Japão é o nº 54, na escala da ONU que retrata o poderio das mulheres nos meios político e económico dos seus países.

Aperceberam-se os pesquisadores de que o Japão apresentava imagens de “não poder” ou seja mulheres amarradas ou contorcidas em detrimento de mulheres nuas com um olhar de confiança de frente para a câmara, mais usual nos filmes porno da Noruega.

As descobertas sugerem que a pornografia pode espelhar a igualdade de género ou a ausência dele da sociedade em geral.

Em Portugal, tal como no resto do mundo, são escassos os estudos sobre este tema e normalmente incidem sobre estudantes universitários o que pode deturpar os resultados finais. Que as mulheres consumem mais pornografia é um facto assumido e decorrente das novas tecnologias. Afinal, mudam-se os tempos, mudam-se as vontades…”

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