A utilização de testosterona, a hormona mais anabólica produzida pelo organismo humano, foi, nos últimos anos, popularizada no âmbito desportivo e estético para acelerar o aumento da massa muscular. No entanto, níveis excessivamente altos desta hormona podem "aumentar consideravelmente o risco de se sofrer de problemas cardíacos, já que o músculo do coração aumenta artificialmente", alerta a Sociedade Espanhola de Cardiologia (SEC).

"Para além disso, um nível elevado de testosterona também produz rigidez do músculo cardíaco e disfunção diastólica ventricular, ao mesmo tempo que favorece a hipertensão arterial", refere Araceli Boraíta, cardiologista desportiva. "A melhor solução é obter massa muscular de forma natural, com a prática de exercício regular, sem falsos atalhos que podem ser muito prejudiciais para a saúde em geral e para a do coração, em particular", adverte.

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Um estudo, divulgado em 2013 pelo The Journal of the American Medical Association, aponta no mesmo sentido, garantido que a administração de testosterona aumenta em 29 % o risco de morte por enfarte do miocárdio e por acidente vascular cerebral isquémico.

Uma investigação da Universidade do Texas, nos Estados Unidos da América, levada a cabo em 2014 e publicada pelo The Annals of Pharmacotherapy nesse mesmo ano, assegura, contudo, que os tratamentos com testosterona não representam um risco acrescido para o coração. Uma tese que outras investigações, mais recentes, contrariam.

Allan Pacey, professor universitário britânico, alertou publicamente para essa situação e para um outro facto, o de de 90% dos utilizadores destes compostos poderem vir a ficar estéreis. Insuficiência cardíaca e arritmia cardíaca são, todavia, a par de lesões no fígado, acne e calvície prematura, algumas das sequelas mais comuns da administração desta substância anabolizante com consequências cardiovasculares, endócrinas e hepáticas.

Um novo estudo, divulgado em agosto de 2019, levado a cabo pela Universidade McGill, no Canadá, alerta também para os efeitos secundários de terapias com testosterona em homens mais velhos, uma alternativa terapêutica que aumenta o risco de ataques cardíacos, enfartes do miocárdio e acidentes vasculares cerebrais (AVC). "Sobretudo nos dois primeiros anos de tratamento", avisa Christel Renoux, a autora da investigação.

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