A pele fica aparentemente mais macia e os pontos negros saem. Esse feito deve-se ao efeito “peeling” proporcionado pela cola e pelo arrancar da máscara. Ou seja, com a máscara de cola vem a camada superficial de células da pele, tornando a pele mais fina e mais sensível. Um efeito semelhante é obtido com peelings médicos efetuados em dermatologia.

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Então qual é o problema das máscaras negras? "O problema é que nos peelings médicos os produtos aplicados estão estudados para serem aplicados na pele, sabe-se a que nível penetram e que ações químicas provocam. Todos os produtos comercializados como cosméticos, com certificação europeia, obedecem a regras específicas de tolerância e compatibilidade cutânea precisamente para não serem nocivos nem lesivos para a saúde", explica a médica Leonor Girão.

As concentrações das diferentes substâncias na sua composição estão estipuladas por lei. "No caso das máscaras negras, estão a usar um produto - cola -fabricado para uso industrial e doméstico que contém um número de substâncias químicas não indicadas para uso cutâneo. O risco de provocar irritações cutâneas é grande", alerta a especialista em dermatologia.

Fazer sucessivas aplicações de cola na face é estar a provocar o aparecimento de uma reação alérgica

"Pior do que isso: o risco de induzir sensibilidade e alergia aos componentes da cola (metacrilatos) é enorme. Isto significa que ao desencadear uma reação alérgica aos componentes da cola a pessoa não pode contactar/usar nada que tenha cola em contacto com a pele. Como o calçado, por exemplo, que tem inúmeros componentes colados (sola, forro, adornos). Isto não é uma mera hipótese, é uma probabilidade enorme", assevera a dermatologista.

Induzir uma alergia no organismo 

Existem várias pessoas com alergia à cola do calçado resultante de lesões crónicas da pele dos pés (eczemas, por exemplo). Os componentes da cola (os metacrilatos) fazem parte do grupo das substâncias testadas nas consultas especializadas de dermatologia.

"Fazer sucessivas aplicações de cola na face é estar a provocar – o termo médico é mesmo induzir – uma sensibilização do organismo em relação a essa substância, desencadeando o aparecimento de uma reação alérgica. E após se ter ficado alérgico a essa substância essa sensibilidade não desaparece nunca mais; pode atenuar mas não desaparece", diz Leonor Girão.

"Substâncias que contiverem cola não deverão entrar em contacto com a pele ou a mesma vai reagir com as lesões próprias dos eczemas alérgicos: prurido (comichão), eritema (pele vermelha), descamação, exsudação (saída de líquido), fissuras e gretas da pele com infeção secundária. Não é uma consequência displicente", garante a médica.

Os pontos negros (comedões abertos) fazem parte dos sinais da acne, condição dermatológica que tem tratamento e produtos indicados, testados dermatologicamente, para serem usados na pele: desde medicamentos em creme/gel, comprimidos, tratamento laser, fototerapia ou aplicação de peelings.

Existem várias terapêuticas médicas para esta condição. "Têm todas como característica principal conterem substâncias medicamente testadas. Portanto, consulte um dermatologista experiente nesta área", conclui Leonor Girão.

Os conselhos são da médica Leonor Girão, especialista em Dermatologia na Clínica Dermatologia do Areeiro, em Lisboa

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