A medicina de género, que sofreu um grande desenvolvimento nos últimos anos, é  um campo de investigação que estuda como os processos fisiológicos humanos normais e a experiência de doenças variam em função do sexo biológico. Marianne J. Legato é uma das especialistas que mais se destaca nesta área da medicina e é a autora do livro «Porque morrem os homens primeiro». Para ler a entrevista completa a esta especialista, clique aqui.

De acordo com esta cardiologista, a surpreendente fragilidade masculina tem explicações não só biológicas como socioculturais. «Quando masculinizamos os rapazes, ensinamo-los a esconder os seus sintomas e a nunca pedir ajuda»,  revela Marianne J. Legato. Uma condicionante que, em muitos casos, pode levar o homem a não procurar apoio médico de forma atempada e preventiva.

Outro fator que afeta a longevidade masculina é a adoção de comportamentos de risco. Não será por acaso, pois segundo a especialista, «a área do cérebro associada à avaliação das consequência dos atos é menos desenvolvida nos rapazes do que nas raparigas». Para além disso, segundo Marianne J. Legato, a depressão masculina é muito mais comum do que se imagina e são vários os sinais que denunciam esta situação.

«Os homens tendem a escondê-lo, mas tornam-se mais solitários, viciados em substâncias como o álcool, jogo, levam uma vida desregrada, tornam-se mais violentos, irritáveis», sublinha. Porém, as mulheres podem ajudar a contornar esta realidade e ajudar os seus parceiros a terem uma vida mais longa e saudável.

«Devem explicar que é importante fazer exames físicos regulares, a partir dos 30 anos, assim como  falar sobre as dores e mal-estar que sentem, pelo menos com o seu médico e colaborar com ele», aconselha Marianne J. Legato.

Vulnerabilidades masculinas

Eis algumas das conclusões dos estudos realizados no âmbito da medicina do género sobre as diferenças entre homens e mulheres, ao nível da saúde, desde a conceção:

- O sexo masculino tem uma esperança de vida inferior à das mulheres

- Tem menos probabilidades de sobreviver no útero

- Revela um atraso de seis semanas no seu desenvolvimento na altura do nascimento

- Tem o quádruplo das deficiências de desenvolvimento

- Sofre com mais gravidade de sete das dez infeções mais frequentes

- Sente os primeiros sintomas de doença coronária 15 a 20 anos antes das mulheres

- Apresenta, em todas as idades, mais suicídios

- As mulheres têm a capacidade de combater mais eficazmente as doenças virais, pois o seu sistema imunitário é mais ativo

Texto: Nazaré Tocha

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