Com base nos resultados do trabalho, "não há motivos de preocupação, os níveis de [polifosfatos] estão dentro dos valores normais", disse Rogério Mendes, cientista do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) que coordenou o estudo. "Detetámos muitos problemas a nível da rotulagem, que estava incorreta, mas em termos dos níveis [de polifosfatos] não há, pelo menos que tenhamos verificado, qualquer motivo de preocupação", reforçou o investigador.

Naturalmente, todos os alimentos têm fosfatos, chamados de orgânicos, mas os industriais agroalimentares adicionam outros - os fosfatos inorgânicos também chamados polifosfatos - principalmente nos produtos processados ou nos prontos a consumir para obter, por exemplo, o reforço da cor ou maior retenção de água, no caso do peixe.

A partir de determinado nível, os polifosfatos aumentam o risco da doença cardiovascular e provocam calcificação vascular, "portanto há risco associado ao seu consumo", explicou o investigador.

Limites fixados pela União Europeia

A União Europeia fixou o nível de polifosfatos que pode ser utilizado, mas, quando os investigadores analisam os alimentos, não conseguem diferenciar quais são adicionados e quais são naturais.

Os cientistas do IPMA estão a determinar os níveis de base da maior quantidade possível de peixes ou de espécies que existem no mercado para, ao analisar um produto, conseguir obter a diferença entre o nível natural e o total, obtendo a quantidade de polifosfatos adicionados. "É preciso ter a metodologia adequada e esse investimento foi feito no IPMA", com o programa Polifosfatos financiado pelo Governo, em 2013, e que permitiu a aquisição de equipamento para fazer a diferenciação entre os vários tipos de fosfatos e o fosfato orgânico.

A presença de polifosfatos também tem implicações no peso do produto, ao fixar a água, ou seja, o consumidor "acaba ppr comprar água a preço de peixe".

Rogério Mendes e a sua equipa têm recolhido amostras do bacalhau que chega a Portugal para as empresas processarem, transformando-o em seco salgado, como os portugueses preferem. "Se, por ventura, os industriais portugueses tivessem a processar bacalhau com polifosfatos teriam de gastar muitíssimo mais energia elétrica para chegar ao resultado final", já que a concentração de água seria mais elevada, explicou.

Um bacalhau normal, continua, leva 67 horas a atingir 47% de humidade que a lei obriga. Com polifosfatos, no limite máximo permitido, é preciso secar durante mais 85 horas.

"Interessa-nos fazer as amostras deles [de uma empresa do setor que tem colaborado com o trabalho de investigação] porque, assim, também vamos vendo os níveis de base e, ao mesmo tempo, vemos se tem havido níveis estranhos. Até agora, já vamos quase em 300 amostras [e] não tem havido motivo para alarme", explicou ainda o investigador.

O estudo centrou-se no bacalhau, mas Rogério Mendes refere igualmente dados obtidos sobre o polvo.

Nesta espécie também aparecem polifosfatos, "sobretudo nas etiquetas, o que é estranho, porque não os conseguimos detetar no produto", referiu.

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