14 de janeiro de 2014 - 11h17
O investigador principal no Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC), Lars Jansen, recebeu uma bolsa de 1,6 milhões de euros, do Conselho Europeu de Investigação (ERC), anunciou hoje o instituto português.
Segundo o comunicado do IGC, Jansen recebeu uma bolsa “Consolidator” que o irá apoiar na investigação dos “mecanismos que controlam a transmissão fidedigna de informação não-genética da célula-mãe para as células-filhas”.
“Em parte, o seu trabalho procura elucidar como estes processos têm impacto no desenvolvimento do cancro e na diferenciação de células estaminais”, lê-se no mesmo documento.
Lars Jansen é doutorado em Genética Molecular pela Universidade de Leiden, na Holanda, e, entre 2003 e 2008, trabalhou no Ludwig Institute for Cancer Research e no The Scripps Research Institute, ambos em La Jolla, na Califórnia.
O investigador, em comunicado, afirma que este financiamento “irá dar um enorme impulso” à investigação da equipa que lidera.
“Ao mesmo tempo [é] um fantástico reconhecimento do trabalho que temos realizado nos últimos cinco anos, e um voto de confiança na nossa capacidade de fazer avanços importantes nos próximos cinco anos. Receber este financiamento plurianual tão elevado é bastante importante, uma vez que o financiamento da ciência é atualmente muito reduzido, principalmente o financiamento nacional”, afirma o investigador.
“Os fundos do ERC vão-nos permitir manter um programa de investigação forte, em tempos difíceis para a ciência", rematou.
O IGC explica que as “células do fígado, músculo, neurónios ou células da pele são alguns exemplos dos mais de 200 tipos distintos de células que temos no nosso corpo adulto. E, ainda assim, todas estas células são idênticas geneticamente”.
“Durante o desenvolvimento, as células ativam alguns genes e inibem outros, especializando-se em diferentes funções e dando origem a diferentes tipos de células” que, por sua vez, “cada tipo especializado de células mantém uma memória da sua identidade individual, lembrando-se de que genes devem ser mantidos ligados (“on”) ou desligados (“off”), mesmo quando fazem cópias delas próprias”, explica o Instituto.

“Este tipo de memória não está escrita diretamente no DNA, no entanto é herdada. Estas instruções não-genéticas ou ‘epigenéticas’ estão muitas vezes contidas em proteínas e controlam não só os genes, mas também como os cromossomas estão organizados”, refere o IGC.
Lars Jansen e a sua equipa têm estudado “como estas instruções epigenéticas são passadas de células-mãe para células–filhas de forma fidedigna”, esclarece o IGC.
“O grupo [de trabalho] foca-se no papel dos nucleossomas, complexos de DNA enrolado em proteínas (chamadas histonas) que compõem a cromatina. Diferentes modificações nestas histonas, como a adição de um grupo químico, são capazes de ligar ou desligar genes”.
O IGC salienta, no entanto, que “pouco se sabe sobre como estas histonas e as suas modificações podem ser herdadas”.
Os membros da equipa de Lars Jansen “irão analisar se estas modificações podem ser herdadas e como isto se relaciona com a expressão de genes em células cancerígenas e durante a diferenciação de células estaminais”.
Lusa

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