“É a própria investigação e a própria ciência que começa a dizer que os homens que têm mais preocupação e que procuram cuidar mais dos seus filhos têm tendência a cuidar mais da sua saúde” por várias razões, como serem um exemplo para os filhos, adiantou Vasco Prazeres, que falava à agência Lusa a propósito de um projeto lançado hoje pela Direção-Geral da Saúde para promover uma paternidade mais envolvida e cuidadora.

Por outro lado, apontou, “sentem necessidade de estar mais saudáveis para poder estar em melhores condições de cuidar dos seus filhos e aproximam-se mais dos serviços de saúde, contrariando o estereótipo tradicional que um homem é forte, um homem não adoece, o homem não precisa de pedir ajuda para nada”.

“Há um outro aspeto que parece paradoxal, mas não é”, disse o médico e sexólogo, explicando que começa agora ser mais presente no discurso das mulheres que os homens devem participar mais no cuidar dos filhos, mas estes “não foram ajudados nem preparados para isso” pelos pais e de repente têm que avançar quando os filhos nascem”.

“Mas ainda há um paradoxo maior” que muitos homens referem que é, quando “tomam em mãos” algumas tarefas que são tradicionalmente atribuídas às mulheres dentro de um casal, as suas mães “não veem isso com bons olhos, porque parece que a jovem mãe não está a cumprir bem o seu mandato de ser mãe”, salientou Vasco Prazeres, na data em que se assinala o Dia do Pai.

Por outro lado, as jovens mães, muitas vezes com medo do julgamento das outras mulheres, e perante si próprias, questionam se estão a ser boas mães.

Por isso, é importante o projeto da DGS que pretende, “com medidas concretas e com sugestões concretas”, apoiar este processo da transformação, “porque não basta no dizer no vazio que a sociedade muda e os homens também. É preciso saber o que se pode trabalhar com os homens”, salientou Vasco Prazeres.

No projeto IMPEC - Iniciativa Mobilizadora da Paternidade Envolvida e Cuidadora pode ler-se que “os homens devem ser entendidos como verdadeiros (co)protagonistas da ação, não como meros acompanhantes das mulheres numa consulta de planeamento familiar ou de vigilância da gravidez, num curso de preparação para o parto e parentalidade, ou como visitas da sua criança numa maternidade ou num hospital pediátrico, ou como ajudantes ou substitutos da mãe no exercício da parentalidade, em particular nas tarefas do cuidar”.

Como tal, defendeu, é preciso “melhorar a acessibilidade dos homens aos cuidados em saúde sexual e reprodutiva e ao apoio na vigilância da saúde dos filhos de diferentes formas”, como divulgar mensagens de saúde tomando-os como destinatários diretos, aumentar a atratividade do espaço físico nos locais de atendimento ou procurar conciliar os horários de atendimento com a sua disponibilidade.

“Há que contrariar ideias estereotipadas, como a de se considerar que todos os homens são desinteressados e sempre avessos a tomarem em mãos tais assuntos, ou que têm falta de capacidade, aptidão ou jeito para as tarefas do cuidar” e “vencer resistências, ainda presentes em muitos serviços de saúde quanto à presença e à participação dos homens nas intervenções em matéria de saúde sexual e reprodutiva e de saúde infantil e juvenil”, defende a DGS.

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