Viver com a cara desfigurada numa cidade movimentada como Londres significa que raramente é invisível.

"Até mesmo tarefas simples como apanhar o metro podem tornar-se numa jornada com pessoas aos sussurros, à espreita, a olhar para mim", começa por contar Pearson, de 30 anos, à estação de televisão britânica BBC.

O inglês sofre de neurofibromatose tipo 1, uma doença que lhe provoca tumores benignos na extremidade dos nervos, no meu caso no rosto.

Adam Pearson relativiza: "Afinal as pessoas desfiguradas são pouco representadas na cultura mediática, portanto não me surpreende que as pessoas não saibam reagir [à minha doença]".

Os olhares e os sussurros não são, por si só, um crime de ódio.

"O problema é quando as pessoas bebem. Gostam de me dar apelidos. Já me chamaram paralítico, homem-elefante e mutante deformado", escreve num artigo redigido na primeira pessoa e publicado pela BBC. "Seja o que motive tal comportamento, isso é crime de ódio contra deficientes à luz da lei", alerta.

"O preconceito nasce do medo e se pudermos aumentar a educação e a visibilidade das pessoas com deficiência, isso irá aumentar a familiaridade e também reduzir o nível de hostilidade contra deficientes", explica.

Adam Pearson participou numa experiência da Universidade de Oxford, conduzida por Miles Hewstone, professor de psicologia social, e recorda os resultados.

"Nós conduzimos um teste de 'atitude implícita' que mede o inconsciente em relação às pessoas desfiguradas e os resultados mostraram altos níveis de preconceito inato". "Depois do teste as pessoas passaram uma hora comigo, conhecendo-me melhor e fazendo perguntas. Fizeram o teste novamente para verificar se os resultados tinham melhorado, nove em cada dez apresentaram melhorias", conta.

Como parte do seu trabalho na organização de caridade Changing Faces, Adam Pearson vai a escolas e conversa com alunos.

"Quero ensinar as pessoas sobre a deficiência enquanto ainda são jovens, para que saibam o impacto que atitudes, palavras e gestos podem ter", explica.

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