O médico psiquiatra António Sampaio explica que os jovens apresentam cada vez mais défices no desenvolvimento da maturidade afetiva, confirmando uma tendência já divulgada por uma das maiores especialistas do sono em Portugal, Teresa Paiva, que em entrevista ao jornal i em janeiro de 2015 adiantou que havia adultos com 30 anos a dormir na cama com os pais.

"Sabe-se hoje mais desta situação do que antigamente", explicou o especialista à RTP, embora não descarte que o número de casos de adultos a dormir na cama dos pais possa não ter aumentado nos últimos anos.

"Este problema não é assim tão comum quanto isso", acrescentou.

"A maturidade dos jovens, interior e afetiva, não se desenvolveu tão bem", defende o especialista. "Os pais [hoje em dia] têm uma vida de tal maneira ocupada que não tem muito tempo para se preocupar com as situações e vão adiando regularmente" a resolução deste problema, diz António Sampaio.

Casos tornam-se doença

Porém, o especialista alerta que os casos tendem a evoluir para patamar doentios, "que implicam problemas que passam para a vida adulta", alerta. "O perfil típico desta pessoas está relacionado com a imaturidade", disse ainda o médico.

Segundo António Sampaio, os jovens de hoje estão "preparados para a vida académica e para cumprirem os papéis que a sociedade exige, mas não para serem independentes". "A nossa cultura esta muito orientada para as competências sociais mas não está orientada para a maturidade interior", critica.

"É uma tendência geral que ocorre noutros países. A sociedade pós-moderna trouxe este tipo de situações, em que as pessoas vivem muito para si e pouco para o outro. Se alguém está cómodo com uma situação, tende a perpetuá-la", conclui o médico.

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