É mesmo possível diminuir o stress em ambientes profissionais desgastantes?

Não só é possível, como é urgente e imperioso diminuir o stress. O stress é algo que nos faz mover, que nos faz ser pró-ativos, mas tem um preço elevado quando mal gerido. Por isso, empresas em stress serão empresas menos produtivas e menos saudáveis. O stress é uma entidade demasiado presente nas empresas portuguesas.

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De resto, Portugal está no top três dos países com maior consumo de psicotrópicos. Este ambiente não só tem impacto na capacidade produtiva como no absentismo e presentismo, ou seja, o colaborador está presente, mas, como se sente mal, produz pouco e acaba até por "contagiar" os outros com a sua baixa moral e pouca eficiência.

Quais são as consequências de trabalhar todos os dias debaixo de situações stressantes?

O stress tem inúmeras consequências. As mais conhecidas referem-se ao risco de acidente cardiovascular. Mas temos de adicionar aqui a diminuição da imunidade e consequente maior suscetibilidade para algumas doenças infeciosas e até para o cancro. Há inúmeros artigos científicos que revelam uma forte relação entre o stress e o cancro. É também bem conhecida a relação entre stress e obesidade, excesso de peso, hipertensão e diabetes. Para além disso, aumenta significativamente o risco de acidente.

Se uma chefia ignora as regras mais básicas da performance, como é possível pedir-se aos restantes colaboradores comportamentos adequados?

De que forma é que as chefias podem ser tóxicas para os trabalhadores e empresas?

É essencial liderar, pelo exemplo. Se uma chefia ignora as regras mais básicas da performance, como é possível pedir-se aos restantes colaboradores comportamentos adequados? Líderes tóxicos implicam organizações tóxicas e disfuncionais.

Quem é José Soares?

José Soares é Professor Catedrático de Fisiologia da Universidade do Porto.

Possui uma vasta experiência na melhoria da performance em pessoas e equipas, seja no contexto do desporto de alto rendimento, seja em ambiente corporativo.

Publicou cerca de 70 artigos científicos em revistas internacionais, participou como conferencista convidado em mais de 200 reuniões científicas nacionais e internacionais e é autor do livro Running, muito mais do que correr.

Nos últimos anos tem-se dedicado à implementação de programas de melhoria da performance corporativa em empresas como a Deloitte, Banco Popular, Banco Santander, Sonae, Grupo José de Mello, Colep, Sumol+Compal, Abaco e MEO.

É normal que o mundo profissional seja cada vez mais exigente do ponto de vista mental? E às vezes físico?

O mundo profissional, de uma forma geral, tem quatro características principais com elevado impacto na produtividade e na saúde: “never offline”, as pessoas estão 24h ligadas ao trabalho; elevada pressão para obter resultados e cumprir objetivos; longas horas de trabalho e viagens frequentes. Este ambiente tem como consequência stress e fadiga e estas duas entidades têm impacto na performance, no equilíbrio da vida pessoal e profissional, na saúde e no bem-estar.

A exigência hoje é global. Não é apenas mental, é física também, se é que as coisas podem ser vistas de forma separada.

Como se conquista um equilíbrio saudável entre as exigências profissionais e o bem-estar pessoal?

Tal como refiro no meu livro "RELOAD", considero que existem os chamados “4 R da Performance”. O primeiro é Recover: saber recuperar durante o dia e ao longo dos dias. O que faz a diferença entre um atleta de alto nível e um de menor valia é a capacidade de recuperar e suportar as cargas. Para isso, tem de saber recuperar entre treinos e competições. No mundo das empresas acontece exatamente o mesmo.

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Todos conseguimos ficar a trabalhar até às 2 ou 3 da manhã. A questão é se conseguimos recuperar para o dia seguinte. Todos conseguimos estar concentrados numa tarefa durante 2 horas. A questão é: a seguir podemos entrar para uma reunião com o mesmo grau de concentração e foco?

Depois de recuperar, Refuel. Os atletas alimentam-se para melhorar a função muscular e nós temos de nos alimentar para melhorar a função cognitiva. Nós trabalhamos com o cérebro e a alimentação assume aqui um papel tão importante como na de um atleta. A alimentação de um colaborador de uma empresa deve ser entendida como uma forma de melhorar a atenção, diminuir a irritabilidade, melhorar o raciocínio e a lógica, etc. Ou seja, comer para pensar.

O terceiro "R da performance" é Rethink. Temos de repensar a forma como estamos a trabalhar porque os resultados não estão a ser os melhores… Continuamos a ter um problema crónico de produtividade. Por isso, temos de mudar um pouco de paradigma.

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Hoje as neurociências dão-nos contributos exemplares para aplicar no dia a dia, nas chamadas competências comportamentais, que devem ser revistas à luz dos novos conhecimentos. Não podemos continuar a falar de trabalho em equipa, liderança ou motivação como o fazíamos há anos, dada a evolução da ciência comportamental.

Por fim, Reenergize. A exigência no dia a dia obriga-nos a explorar formas cada vez mais adequadas de manter a nossa energia diária em níveis elevados. Ou seja, temos de encontrar formas de conseguir “ter os depósitos” permanentemente cheios, não só para sermos mais produtivos, mas também mais saudáveis e mais equilibrados. Estes são os "4 R’s da performance" que descrevo de forma mais detalhada em RELOAD, com sugestões práticas e simples de executar no quotidiano de quem tem de responder às exigências das organizações.

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