Uma equipa de investigadores do Centro de Neurociências e Biologia Celular (CNC) da Universidade de Coimbra descobriu que existe uma relação entre a síndrome da apneia obstrutiva do sono e oito marcadores do processo de envelhecimento celular prematuro.

Num artigo publicado na revista Cell, em 2017, os autores centram-se nesta perturbação do sono relacionada com um maior risco de desenvolver várias doenças, como problemas cardíacos, demências e acidentes vasculares cerebais.

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No entanto, este envelhecimento celular prematuro também se observa em pessoas que não sofrem desta patologia e que, simplesmente, dormem mal, escreve hoje o jornal Público.

"Fomos à procura de estudos que tivessem tentado relacionar a apneia do sono com marcadores que já se sabia que estão associados ao envelhecimento celular, desde problemas nucleares, mitocondriais, alterações epigenéticas do ADN, entre outros, e encontrámos uma correlação entre a apneia e, pelo menos, oito dos marcadores de envelhecimento", comenta a investigadora Cláudia Cavadas, uma das autoras do artigo publicado no ano passado, ao referido jornal.

Nesse artigo, os cientistas defendem que o envelhecimento celular prematuro pode antecipar o desenvolvimento de doenças associadas ao envelhecimento. "A privação do sono e as noites mal dormidas alteram o nosso ritmo circadiano e também podem promover o aparecimento de alguns dos mesmos marcadores de envelhecimento", diz.

Segundo Cláudia Cavadas, a apneia do sono não se caracteriza só pela falta de oxigenação que as paragens de respiração provocam, mas também pelo sono fragmentado.

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Metade da população dorme mal

Metade da população portuguesa não está satisfeita com os seus hábitos de sono. Desta metade, 25% dorme menos de seis horas por noite, prejudicando as suas rotinas e normais desempenhos profissionais e sociais. Os dados são da Associação Portuguesa do Sono.

As mais afetadas por esta atividade essencial à vida (o sono) são as mulheres, com especial incidência nas faixas etárias entre os 25 e os 44 anos, assim como as mulheres com mais de 65 anos de idade.

As perturbações do sono causam grande impacto na qualidade de vida das populações, sendo que quem está acordado há 24 horas comete erros comparáveis aos de um condutor com 1.0 g/l de alcoolémia no sangue.

A insónia e outros problemas do sono devem ser encarados com seriedade, numa sociedade que passou a encarar as pessoas como estando aptas a funcionar a um ritmo extremamente acelerado, num sistema de 24 horas por dia, sete dias por semana.

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