Alexandra Bento, Bastonária da Ordem dos Nutricionistas, deixa o cargo este ano, depois de mais de dez anos a defender esta classe profissional. Ao podcast da Onya Health, Como anda a nossa saúde?, a nutricionista faz um balanço dos últimos anos de atividade na Ordem e explica que temos de olhar para um dos maiores problemas da atualidade: “Nós estamos a padecer devido à forma como vivemos e nos alimentamos”.

Num cenário como o atual, em que “um em quatro portugueses tem, pelo menos, uma doença crónica”, Alexandra Bento deixa claro que é preciso mudar a forma como vivemos. Para a nutricionista, “estamos a viver muito mais do que muitos países, mas somos dos países que mais doença crónica temos nos últimos anos de vida, que é aquilo que nós dizemos: temos mais vida, mas temos anos de vida menos saudável nos últimos anos de vida”. A solução passa por “aumentar os anos de vida saudável”.

Um dos caminhos está no aumento da literacia em saúde. “Se nós tivermos uma população que tem mais literacia em termos de alimentação e de nutrição, em termos de saúde, será uma população mais capaz de fazer as suas escolhas em termos de saúde e em termos daquilo que deve ser a sua alimentação. A obesidade é, claramente, a pandemia deste milénio”, continua.

Em conversa, Alexandra Bento considera que um dos maiores desafios nesta área continua a ser a grande dificuldade em contornar a disseminação de fake news — uma situação que caracteriza como “urgente”. “As notícias falsas, as meias-verdades e as inverdades vão numa velocidade estonteante que é difícil contrariar. Exigem de nós [nutricionistas] dispositivos fortes para contrariar. E estes dispositivos fortes muitas vezes não são fáceis de serem operacionalizados”, diz.

Atualmente, Portugal é um dos países da União Europeia com maior taxa de obesidade infantil. Alexandra Bento faz o paralelo com a educação ambiental e afirma que as crianças “têm que ser verdadeiramente envolvidas” nos princípios da nutrição. “Nós não podemos ser muito impositivos. Temos é que conseguir envolver. Claro que que há coisas que é preciso impor. Nós temos que impor, no bom sentido da palavra, uma oferta alimentar que seja apelativa e saudável nos bares das escolas, nas máquinas de venda automática”, conclui.

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