Em 1907 nascia a Região Demarcada do Moscatel de Setúbal, tendo no ano seguinte sido regulamentada a disciplina de produção e comércio deste vinho generoso. Uma ato com a assinatura do último monarca português, D. Manuel II. Contudo a história da produção desta bebida licorosa na região está documentada desde o século XIII. Eram várias as cortes na Europa que consumiam com regularidade este Moscatel, com forte caráter cítrico, doce e "compotado". Em 1381, o Rei Ricardo II de Inglaterra mencionava a importação de Moscatel de Setúbal, e no século XVII, Luís XIV - o “Rei Sol”, não o dispensava nas festas no palácio de Versailles nos arredores de Paris.

Já antes, na segunda metade do século XIV, Ricardo II de Inglaterra torna-se importador assíduo do Moscatel de Setúbal, após as relações terem sido estabelecidas através do casamento dinástico de D. João I com a princesa inglesa D. Filipa de Lancaster em 1387. As exportações para Inglaterra de barricas deste licoroso da região de Setúbal estão bem documentadas no século XVII. Julga-se, no entanto, que muito antes, no período de expansão marítima, o Moscatel tenha viajado nas caravelas para o Brasil, Índia e África como moeda de troca por outros bens.

Na história mais recente, há que referir os inúmeros prémios e distinções internacionais. Nos últimos anos, o pódio do concurso francês "Muscats du Monde" (que coloca à prova centenas de Moscatéis de todo o mundo) tem invariavelmente os licorosos de Setúbal no TOP 10 dos mais pontuados. Inclusivamente, já viu por três vezes um Moscatel de Setúbal ou um Moscatel Roxo de Setúbal ganhar esta competição.

No final do Século XX a casta Moscatel Roxo de Setúbal estava reduzida a apenas um hectare, tendo sido replantada a bom ritmo desde o início deste século

Um néctar que em Setúbal ganha a sua identidade, resultado da cumplicidade entre a natureza e o homem. Este terroir, berço do Moscatel de Setúbal, é irrepetível de acordo com informação disponibilizada pela Confraria do Moscatel de Setúbal: "junta à precipitação anual de 550 a 750 mililitros, 2200 horas de sol derramadas sobre terrenos arenosos e argilo-calcários, tudo temperado com uma mão cheia de frescura atlântica. Esta conjugação resulta em vinhos frescos e elegantes, simultaneamente sedosos e untuosos, em conjunto com uma acidez incisiva e intransigente que acrescenta tensão e nervo ao final de boca".

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Embora a fama e o prestígio venham de longe a produção de Moscatel de Setúbal continua limitada. A atual área de vinha apta à produção é de 540 hectares e para o Moscatel Roxo de Setúbal existem 42 hectares em produção.

No final do Século XX a casta Moscatel Roxo de Setúbal estava reduzida a apenas um hectare, tendo sido replantada a bom ritmo desde o início deste século, em particular na última década, tornando-se uma das mais procuradas, dentro e fora do país, pelos apreciadores de vinhos generosos.

Neste momento a região conta com 19 produtores de Moscatel de Setúbal, sendo que quase todos também já produzem Moscatel Roxo de Setúbal (na transição do século XX para o atual só havia três produtores de Moscatel de Setúbal)

Em 16 anos mais 600 mil litros de Moscatel

Para Henrique Soares, presidente da Comissão Vitivinícola da Península de Setúbal, “nas últimas duas décadas tem havido uma forte reestruturação e investimento nas vinhas e adegas da Península de Setúbal, o que tem permitido olhar para a produção de Moscatel de Setúbal com uma perspetiva mais generalizada de médio/longo prazo. Neste momento a região conta com 19 produtores de Moscatel de Setúbal, sendo que quase todos também já produzem Moscatel Roxo de Setúbal (na transição do século XX para o atual só havia três produtores de Moscatel de Setúbal).

Em 2016, estes produtores foram responsáveis pela certificação de mais de um milhão e meio de litros de vinhos com Denominação de Origem de Setúbal (Moscatel de Setúbal e Moscatel Roxo de Setúbal). Desde 2000 o crescimento acumulado registado pela CVRPS cifra-se em 60%. Este percentual traduz-se num aumento de 600 mil litros de vinho produzido e comercializado num espaço de 16 anos, o que dá um crescimento anualizado de 3,75% ao ano”.

Na Península de Setúbal contam-se atualmente 19 produtores e engarrafadores do Moscatel, com algumas casas que se tornaram referência nestes vinhos no contexto nacional e internacional. Refira-se, a título de exemplo, a Bacalhôa - Vinhos de Portugal, a Casa Agrícola Assis Lobo, a Casa Ermelinda Freitas – Vinhos, Horácio dos Reis Simões, José Maria da Fonseca Vinhos, Quinta do Piloto - Vinhos, Venâncio da Costa Lima, Xavier Santana.

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Moscatel de Setúbal tem a sua Confraria

Para comemoração do primeiro centenário da criação da região do Moscatel de Setúbal, em 2008, foi fundada a Confraria do Moscatel de Setúbal; criado e adotado, um copo específico e elaborado e lançado, um lote especial de Moscatel de Setúbal comemorativo da efeméride. À Confraria cabe “a defesa, valorização e promoção dos vinhos generosos produzidos na região, com direito à Denominação de Origem Controlada Setúbal, certificados como “VLQPRD (Vinhos Licorosos de Qualidade Produzidos em Região Determinada) abrangendo as designações tradicionais, autorizadas, “Moscatel de Setúbal” e “Moscatel Roxo”. Uma entidade que organiza provas; concursos de vinhos; ações de promoção; colaborar com entidades, empresas e pessoas singulares, bem como com outras Confrarias.

Fonte: Confraria do Moscatel de Setúbal

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