Celebra-se a 16 de outubro o Dia Mundial da Alimentação, data instituída desde 1981 e atualmente celebrada em mais de 150 países, com o objetivo de consciencializar a opinião pública sobre questões relativas à nutrição e à alimentação. Uma iniciativa global que corre paralela à fundação da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO, sigla em inglês).

Este ano, a FAO lançou a campanha “Um mundo #fomezero para 2030 é possível”. O seu objetivo é sensibilizar a sociedade para a importância de ações de combate à fome e ao desperdício alimentar e para a necessidade de desenvolvimento de uma agricultura mais sustentável.

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De acordo com o seu último relatório sobre segurança alimentar e nutrição, a fome mundial encontra-se novamente em ascensão, com mais de 820 milhões de pessoas a sofrer de desnutrição crónica. Acresce que 45% da mortalidade infantil está igualmente relacionada com a desnutrição. A grande maioria das pessoas sem acesso a alimentos encontra-se em países subdesenvolvidos, onde a indústria agrícola se destina principalmente a alimentar uma outra indústria, a da pecuária que, por sua vez, serve a população dos países desenvolvidos.

Por outro lado, 672 milhões de pessoas sofrem de obesidade e todos os anos 3,4 milhões de pessoas morrem por doenças relacionadas com excesso de peso, números estes que se concentram em países desenvolvidos como é o caso de Portugal.

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No que diz respeito ao desperdício alimentar, todos os anos 1,3 mil milhões de toneladas de alimentos comestíveis (o equivalente a um terço da produção mundial) são transformados em resíduos.

Com a população mundial prestes a alcançar os dez mil milhões de seres humanos, é urgente travar esta crise alimentar. Mas o que podemos fazer para reverter estes números assustadores?

Um recente estudo publicado pela norte-americana, National Academy of Sciences mostra que a substituição de produtos de origem animal por alimentos de origem vegetal pode alimentar mais 350 milhões de pessoas face à realidade atual. Os autores do estudo analisaram o efeito da eliminação da carne de vaca, porco, frango, laticínios e ovos da alimentação dos norte-americanos, substituindo-os por alternativas vegetais.

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De forma sucinta foi concluído que, se a terra utilizada para a criação de animais fosse aproveitada para o cultivo de vegetais, a quantidade de alimentos produzidos conseguiria alimentar mais do dobro de pessoas.

Acredito sinceramente que a solução passa por aqui. Tal como já tinha abordado neste artigo. É evidente que a indústria pecuária é contraproducente e não conseguirá dar resposta ao aumento da população mundial.

Paralelamente, esta é também a indústria que mais afeta o nosso ecossistema. A subida do nível dos oceanos, o aquecimento global, a perda da biodiversidade, a desflorestação, a desertificação e a contaminação dos solos são alguns exemplos do efeito pernicioso desta indústria no nosso Planeta.

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A indústria pecuária utiliza aproximadamente 45% das nossas terras. No que diz respeito ao cultivo de cereais, perto de metade da produção mundial destina-se a alimentar os animais da indústria pecuária. Falo da soja, do trigo e do milho (por exemplo) na sua grande maioria produzidos em monocultura (com um grande impacto ambiental associado) e com recurso a Organismos Geneticamente Modificados (OGM).

No que diz respeito à nossa nutrição, são evidentes os benefícios de uma alimentação de base vegetal adequada.

Mesmo que não nos importemos com o impacto da alimentação na nossa saúde, não será egoísmo fecharmos os olhos ao impacto das nossas escolhas no meio ambiente, na vida dos animais que colocamos no nosso prato ou na vida daqueles que davam tudo para ter acesso aos alimentos que desperdiçamos diariamente?

Cada um de nós tem o poder de mudar o status quo. Não estará já na altura de nos responsabilizarmos pelo estado do nosso planeta? De tomar consciência do impacto das nossas ações? Não temos um planeta B à nossa espera e este grita desesperadamente por ajuda.

Neste sentido, deixo cinco medidas simples que podemos implementar no nosso quotidiano. Passos que podem ajudar, efetivamente, a alterar o futuro do nosso planeta:

  1. Preferir uma alimentação de base vegetal, rica em frutas, legumes, leguminosas, sementes, frutos secos e cereais.
  2. Reduzir drasticamente ou eliminar os alimentos de origem animal (carne, peixe, lacticínios e ovos) da sua alimentação.
  3. Apoiar os produtores de alimentos que se preocupam com o impacto ambiental da sua produção – alimentos biológicos, locais e sazonais.
  4. Evitar o desperdício alimentar - comprar apenas o que precisa, reaproveitar e congelar sobras, doar alimentos em excesso na sua comunidade.
  5. Fazer compostagem ou, em alternativa, doar o seu lixo orgânico a produtores/quintas agrícolas.

Filipa Range

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