Há mitos que, apesar da maior informação que existe nos dias que correm, continuam a ser autênticos bloqueadores do prazer. Somos, por vezes, vítimas de ideias pré-concebidas que acabam por condicionar o nosso comportamento e até, nalguns casos, afetar a nossa sexualidade. O sexólogo Fernando Mesquita descodifica os principais mitos que ainda persistem sobre a sexualidade e que podem estar a impedir a satisfação sexual.

1. O sexo para ser bom tem de durar várias horas

Se faz parte dos muitos que acreditam que sim, desengane-se. "O mais importante é que o sexo seja feito com vontade mútua e que ambos os parceiros tenham prazer, o que não implica obrigatoriamente a presença de orgasmo", refere Fernando Mesquita. "Aliás, em alguns casos, as relações sexuais muito prolongadas podem tornar-se desconfortáveis e causar dor às mulheres", sublinha o psicólogo.

2. Os homens têm sempre mais desejo sexual do que as mulheres

Esta é outra ideia ultrapassada. "Não existem regras e o desejo não é uma questão de género. Existem muitas mulheres que desejam tanto ou mais sexo que muitos homens. Acontece que, culturalmente, os homens são incentivados a expressar a sua vontade sexual, enquanto às mulheres é-lhes ou, melhor, era transmitida a ideia de que deveriam controlar mais os seus impulsos e comportamentos sexuais", afirma.

3. O sexo deixa de ser importante a partir de uma certa idade

Velhos só mesmo os trapos. "O sexo é uma parte integrante das pessoas, independentemente da idade", assegura o sexólogo. "Ao contrário do que muitas pessoas pensam, o sexo não implica obrigatoriamente um pénis ereto, uma vagina lubrificada ou até mesmo uma penetração", refere. "O sexo é muito mais do que isso… É partilha, ter e dar prazer e, para isso, não existe limite de idade", garante Fernando Mesquita.

4. O tamanho do pénis é fundamental para a satisfação sexual

Por muito que os sexólogos afirmem continuamente o contrário, este é um dos (muitos) mitos que teimam em persistir. "Muitos homens acreditam que uma mulher precisa de um pénis de grandes dimensões para ter prazer. Esta ideia deve-se, essencialmente, ao mito que ainda existe de que a virilidade se mede através do tamanho do pénis", realça o especialista.

"No entanto, sabe-se que um pénis de grandes dimensões pode causar alguma dor, incómodo ou desconforto, durante a penetração e, nestes casos, a probabilidade da mulher ter prazer é muito baixa ou nula", sublinha o sexólogo Fernando Mesquita. Mais do que o tamanho, importa o que se faz com ele e são muitas as posições sexuais que pode experimentar.

 5. Fazer muito sexo pode deixar as mulheres com a vagina muito flácida

Este é outro mito. "A vagina é um canal elástico, com 9 a 12 centímetros de comprimento. As suas paredes anteriores e posteriores, normalmente, tocam-se entre si, mas dilatam em algumas circunstâncias, nomeadamente durante uma relação sexual, um exame ginecológico ou no parto. O terço inferior é rodeado por um anel muscular que controla o seu diâmetro. Por estas razões, não existe o risco de a vagina ficar flácida", diz.

6. A masturbação pode tornar o orgasmo mais difícil de atingir

Desde há muito que este é um dos assuntos que mais ideias pré-concebidas encerra. "A masturbação pode ser uma excelente forma de a pessoa conhecer melhor o seu próprio corpo e a sexualidade", afirma Fernando Mesquita. "O problema associado à prática da masturbação surge quando esta se torna compulsiva ou quando existe uma preferência clara por esta prática, como por vezes sucede", realça o sexólogo.

7. Todas as mulheres conseguem atingir o orgasmo

À partida, sim. "Todas as mulheres têm potencial para atingir o orgasmo, excepto quando existe alguma limitação física que o impeça. Contudo, fatores como uma educação sexual castradora, o facto de desconhecerem o próprio corpo, a inibição emocional, a falta de confiança ou um parceiro sexual pouco atento às necessidades da mulher, são fatores que, normalmente, dificultam a sua obtenção", esclarece o especialista.

8. As mulheres só conseguem atingir um verdadeiro orgasmo com penetração

Para muitos, o sexo penetrativo continua a ser a primeira escolha. "Um orgasmo é um orgasmo, independentemente da estimulação ser feita diretamente no clítoris ou através de penetração. Os orgasmos não são nem vaginais nem clitoridianos mas sim, essencialmente, cerebrais. Numa relação sexual, o mais importante é que exista prazer, independentemente da forma como acontece", acrescenta ainda Fernando Mesquita.

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