Tem-se assistido a um aumento de crimes sexuais envolvendo menores, muito em parte pela facilidade de disseminação de fotos e vídeos que são partilhados nas redes sociais (ver texto publicado pela autora sobre os perigos das redes sociais). Uma criança que coloque fotos com pouca roupa, pode atrair pedófilos, que não perderão uma oportunidade de contacto, particularmente se este for facilitado. Ou seja, se o menor estiver desinformado e não tiver sido consciencializado sobre o perigo que corre, maior será a probabilidade de incorrer em comportamentos de risco.

Segundo as estatísticas disponíveis do RASI (Relatório Anual de Segurança Interna), de 2018, no quadro de exploração sexual de menores online, as situações identificadas são, regra geral, praticadas por indivíduos isolados, portugueses ou a viver em Portugal. A maioria das detenções teve por base o crime de abuso sexual da criança (113), seguido do crime de violação (n=70) e de pornografia de menores (n=41). Sendo números por si só alarmantes, tornam-se motivo de reflexão porque não englobam os casos que não chegam ao conhecimento da polícia e da justiça (as chamadas cifras negras).

No que concerne à forma de atuação destes predadores sexuais online, predomina a distribuição de pornografia em canais de comunicação como o Youtube, o Facebook, o Google Drive e o Instagram. Durante esse ano registou-se um acentuado aumento do uso de plataformas encriptadas para troca de mensagens, como o WhatsApp e o Telegram. Devido à crescente popularidade de algumas redes sociais, é provável que os números tenham sofrido alterações em 2019 e tenham mais expressividade este ano, devido à situação excecional que vivemos.

Todos os pais querem proteger seus filhos contra estes predadores sexuais, mas é difícil mantê-los em segurança, sobretudo quando não se sabe identificar o perigo. Qualquer pessoa pode ser um predador sexual e a maioria conquistam a confiança das suas vítimas. Não têm nenhuma aparência física, profissão, estilo de vida ou outra característica que seja diferenciadora. Um pedófilo pode inclusivamente aparentar ser uma boa pessoa, atento às necessidades da criança, ser carinhoso com ela e, no entanto, ter pensamentos predatórios.

Para que esteja consciente do perigo, conheça alguns riscos e técnicas usadas por estes predadores online:

  1. Viralização. O grande problema da era digital é a facilidade de disseminação do conteúdo. Em poucos minutos, uma imagem pode ser acedida, avaliada, e compartilhada por diversos meios, inúmeras vezes.
  2.  Morphing. É uma prática recente, com origem nos EUA, em que algumas pessoas copiam fotos tiradas da internet e fazem, por exemplo, uma montagem fotográfica com uma foto pornográfica. Tais casos não são tão noticiados porque essas imagens não circulam na internet “superficial”, mas sim na chamada "Deep Web" ou “Dark Web”, a camada da internet que é oculta e possui um acesso mais restrito, com grande conteúdo ilícito.
  3. Check-in's. O ato de fazer "check-in" nas redes sociais, permite aos predadores conhecerem os locais que determinada criança frequenta e pode sujeitá-la a outros crimes, como roubo, principalmente se as fotos partilhadas pela criança/ adolescente retratarem um padrão de vida elevado.
  4. Sexting. Outro dos perigos das redes sociais, voltado particularmente para os adolescentes, é o sexting, termo inglês formado pela união de “sex” (sexo) e “texting” (envio de mensagens).  Para praticar o sexting, os adolescentes produzem e enviam fotos sensuais dos seus corpos nus ou seminus (os chamados “nudes”) usando telemóveis, câmaras fotográficas, contas de e-mail, salas de chat, e plataformas como o Messenger, o WhatsApp, entre outros.  É sabido que mesmo em relações íntimas, quando há partilha de fotografias íntimas, as mesmas podem ser usadas pela outra parte como forma de chantagem, ou podem ser usadas sem qualquer consentimento. Imagine então quando se trata de desconhecidos que têm acesso a fotografias de menores: o risco de circulação das imagens é muito maior e o perigo torna-se cada vez mais real, pois várias pessoas podem ter acesso a essas fotografias e chegarem até à vítima, que estará exposta a mais predadores.

Tendo em conta todos estes riscos, é necessário que os pais estejam atentos e cientes dos perigos que os seus filhos podem incorrer nas redes sociais, particularmente se não houver controlo e educação para o uso responsável das mesmas. Alguns pais não sabem como abordar estas questões, considerando que os seus filhos podem não ter estofo emocional para integrarem alguns conceitos ou podem ter a ideia errada de que não falando nos assuntos, estão a protegê-los e a prolongar a sua inocência. É precisamente o oposto.

Por isso, se tiver dúvidas sobre como abordar a temática, procure ajuda junto de um psicólogo que poderá auxiliá-lo, a si e às crianças, nessa educação consciente e preventiva. O risco é real e não pode ser ignorado. Fingir de que não existe não vai resultar e o preço a pagar pode ser demasiado alto.

As explicações são da psicóloga clínica Laura Alho, da MIND - Psicologia Clínica e Forense.

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