É uma questão que preocupa a maior parte dos pais de gémeos: devem os miúdos ser separadas quando vão para a escola? Pode a cumplicidade entre ambos afetar a aprendizagem? Existe o risco de as dificuldades de um travarem a progressão do outro?

Poucos estudos têm sido feitos sobre a matéria, mas uma nova investigação da Goldsmiths, Universidade de Londres, indica que não está provado que separar os irmãos gémeos traga benefícios na sua formação escolar, quer se trate de gémeos verdadeiros ou falsos.

A partir de uma amostra de mais de 9.000 pares de gémeos entre os sete e os 16 anos, oriundos de escolas do Reino Unido e do Quebeque, Canadá, os investigadores perceberam que, de um modo geral, “não há efeitos positivos ou negativos substanciais no desempenho académico, capacidade cognitiva e motivação de ambos” quer estejam juntos ou separados na escola.

Por isso mesmo, Yulia Kovas, professora de genética e psicologia da Goldsmiths e principal mentora do estudo, defendeu na BBC online que “não deve haver regras rígidas para separar as crianças, cabendo aos próprios, aos pais e professores” avaliar o que é melhor, tendo em conta cada caso. “Estes resultados sugerem que, em termos de desempenho acadêmico, capacidade cognitiva e motivação, não devem existir regras fixas no sentido de a escola e os pais separarem os filhos durante o processo educativo”.

Refira-se que os resultados foram semelhantes em todas as idades e nos dois países, entre ambos os sexos e nos casos de gêmeos verdadeiros e falsos.

Os investigadores chegaram às suas conclusões com base nos relatórios dos professores e resultados dos exames, bem como através da análise das habilidades cognitivas e motivação académica das crianças e dos jovens.

O mesmo estudo revela ainda que, nos gémeos britânicos, as únicas diferenças significativas entre aqueles que frequentaram a mesma classe e os que foram separados é que, aos 16 anos, registou-se um benefício ténue na educação conjunta dos irmãos.

Yulia Kovas reforçou à BBC.com: “Não estamos a dizer que a separação não tenha efeito sobre as crianças envolvidas, mas sim que não há evidências fortes que justifiquem a regra de que os gêmeos devem frequentar salas de aula diferentes - ou devem andar na mesma turma - porque isso beneficia os seus resultados.”

A mesma responsável volta a sublinhar que “a decisão de os manter juntos ou separados na escola deve ser discutida entre pais, professores e as próprias crianças, refletindo sempre as necessidades individuais de cada um”.

Refira-se que o estudo foi recentemente divulgado na publicação científica Developmental Psychology.

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