A informação da morte do ator foi revelada em comunicado pelo primeiro-ministro do estado da Austrália do Sul, Steven Marshall, recordando David Gulpilil como uma personalidade "icónica", um artista único da sua geração, que "moldou a história do cinema australiano e a representação dos aborígenes no ecrã".

"Ator, bailarino, cantor e pintor, ele foi um dos maiores artistas que a Austrália alguma vez viu", sublinhou Steven Marshall.

Sem ter sido especificada a data da morte, sabe-se que David Gulpilil vivia em Murray Bridge, perto de Adelaide, e que morreu em consequência de um cancro nos pulmões, diagnosticado há quatro anos.

Nascido em 1953 em Arnhem Land, David Gulpilil pertence ao clã Mandhalpingu, do povo Yolnu. A estreia cinematográfica aconteceu em 1971 no filme "Walkabout", de Nicolas Roeg. E o seu último filme foi o documentário biográfico "My name is Gulpilil", de Molly Reynolds, estreado já este ano.

O jornal The Sydney Morning Herald escreveu que David Gulpilil se tornou uma estreia internacional logo no começo de carreira, quando "Walkabout" foi exibido em Cannes, tendo tido oportunidade de privar com nomes como John Lennon, Jimi Hendrix, Clint Eastwood ou Bob Marley.

O mesmo jornal recorda ainda que o ator teve problemas com álcool, drogas e chegou a cumprir uma pena de prisão por agressão a uma companheira.

O primeiro-ministro do estado da Austrália do Sul lembrou ainda que David Gulpilil sofreu com atos de racismo, de discriminação e com a pressão de ter de equilibrar um estilo de vida tradicional com o facto de ser uma figura pública.

Em meio século de carreira, David Gulpilil participou em produções como "A última vaga" (1976), de Peter Weir, "Os eleitos" (1983), de Philip Kaufman, "Crocodilo Dundee" (1986), de Peter Faiman, "Austrália" (2008), de Baz Lurhmann, ou a série televisiva "The Leftovers" (2014), de Damon Lindelof.

Em 2014, venceu o prémio de melhor ator da Academia de Cinema da Austrália e do Festival de cinema de Cannes pela prestação no filme "Charlie's Country" (2013), de Rolf de Heer.

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