Quando o sofrimento não consegue se expressar pelo pranto, ele faz chorar outros órgãos”, a frase é de Henry Maudsley, pioneiro da psiquiatria inglesa e pode ser perfeitamente adaptada ao que chamamos, hoje em dia, de obesidade emocional.

Sem uma definição muito elaborada, o termo tem sido útil para designar aqueles estados de ansiedade em que cada um de nós se refugia na comida, criando-se uma rotina, um hábito, um vício até, que se repercute, naturalmente, na…balança!

“Obesidade emocional…nunca ouvi falar. Mas sim, se alguma coisa me corre mal, tenho uma tendência terrível para ir ao frigorífico e refugiar-me num docinho. Por vezes nem noto que o faço, é quase mecânico. Sabe-me bem, mas não consigo explicar porque o faço”, revela Tânia Rodrigues que à conta desta “mania”, tem vindo a engordar e a furar as suas sucessivas dietas.

Na opinião de Teresa Dias, psicóloga, “são muitas as situações em que se indica o atendimento psicológico nos casos de obesidade e demais transtornos alimentares, mas sempre em parceria com um nutricionista que vai desenhar um programa de reeducação alimentar à medida do paciente”. Explica também que o recurso a um especialista na área da psicologia acontece quando a origem da obesidade não é apenas uma questão orgânica e de maus hábitos, logo “a psicoterapia pode ajudar a refletir sobre a atual situação do indivíduo, o que o incomoda, como ultrapassar as suas inseguranças e, ao mesmo tempo, dar-lhe essa tal confiança para não se refugiar, neste caso, na comida.

Mas obesidade emocional pode também ter a ver com o fato de nos queremos refugiar no peso para evitar o convívio social: ”Sou tímido e gordo. Não sei qual a característica que predomina mais na minha pessoa, mas a verdade é que prefiro estar dentro de casa do que me expor em festas onde sou sempre olhado de lado”, confessa João, um paciente de Teresa Dias que decidiu-se recentemente pela terapia.

“A obesidade pode ser um escudo para evitar relacionamentos sociais. É a desculpa mais fácil, muito embora seja verdade que a sociedade olha os obesos com um certo distanciamento e tende a fazer comentários pouco agradáveis “, explica a especialista que adverte para a necessidade de combater dois males: o excesso de peso e a falta de amor - próprio.

Este sentimento de auto-estima tem de começar muito cedo e, na passagem da adolescência para a idade adulta tudo pode assumir proporções maiores:, tal como recorda o paciente João: “A minha adolescência foi um desastre. Comecei por ser gozado por ser gordo e em vez de fazer alguma coisa, fui comendo cada vez mais até atingir a obesidade. Só tenho recordações tristes desse tempo e nem uma namorada fica para a história”.

Nos dias que correm, a obesidade é já uma epidemia mundial e o alimento como principal fonte de prazer e consolo: tem sido recorrente. Quem nunca disse “Eu hoje mereço comer um chocolatinho, o dia está a correr-me mesmo mal” que levante o dedo…pois é, o pecado da gula está sempre à espreita!

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