É mãe de uma bebé de dois anos e meio e o segundo filho já vem a caminho. Ana Salvador, alentejana, de 34 anos, licenciada em Turismo, acaba de criar uma empresa muito inovadora: a Bebé Gourmet, onde se confeciona comida para bebés a partir dos quatro meses. “A minha filha e o filho da minha sócia foram as nossas cobaias”, confessa encantada com a experiência que a torna pioneira na alimentação infantil.


Quando nasceu a Bebé Gourmet?
A ideia surgiu quando eu e a minha sócia estávamos grávidas. Como tínhamos empregos muito exigentes em termos de horários, não percebíamos como íamos ter tempo para comprar os legumes depois de sair do trabalho e fazer as sopas para os nossos bebés. Foi nessa altura que fomos à procura de soluções saudáveis para crianças e descobrimos que em Portugal não havia nada.

Lá fora o modelo já existe há muito tempo?
Nos Estados Unidos e nos Países Nórdicos é um conceito muito bem implementado, e por isso pensámos em trazê-lo para Portugal. A ideia, entretanto, foi amadurecendo, as nossas crianças nasceram e passado algum tempo achámos que tinha de ser.

Abriam portas quando?
Em Setembro abrimos a loja e o catering na Rua Fernando Namora, em Telheiras. Começámos a fornecer creches e infantários porque não há mais nenhuma empresa especializada em alimentação infantil. Todos os outros caterings que existem em Portugal são generalistas.

Quem orienta as vossas ementas?
Temos uma engenheira alimentar responsável pela cozinha, pela elaboração das ementas e por todas as questões relacionadas com higiene e segurança no trabalho, e um cozinheiro e um ajudante de cozinha que confecionam os alimentos.

A loja e o catering estão no mesmo espaço físico?
Sim. Confecionamos simultaneamente para as creches e para a loja onde temos a comida em embalagens próprias. Temos o menu do dia e o menu semanal e a mães só têm de escolher, e ainda há a possibilidade de fazerem encomendas.

Pelo telefone ou pelo site?
Das duas formas. O nosso site é www.bebegourmet.pt

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Como tem sido a receptividade?
No início tínhamos muitas visitas de pessoas que vinham conhecer o conceito. Agora as pessoas já começaram a aderir ao projeto e vêm à loja para comprar ou fazer encomendas.

É preciso ter confiança na comida que se dá a um bebé...
Sem dúvida. É por isso que neste momento já temos clientes habituais que vão todos os dias ou todas as semanas à loja e todos os dias temos clientes novos.

É muito mais caro do que cozinhar em casa?
Não, pelo contrário. Só confecionamos refeições com ingredientes biológicos, e tivemos o maior cuidado a selecionar os nossos fornecedores e também conseguimos negociar bons preços. Se formos ao supermercado todos os dias comprar ingredientes biológicos frescos e cozinhar em casa sai seguramente mais caro.

Os vossos preços são competitivos?
Quisemos que este fosse um produto de conveniência e não um produto a que as pessoas recorressem só numa ocasião especial. O nosso objetivo é que as pessoas o usem no dia a dia, e que confiem em nós para alimentar o seu bebé.

A sua bebé e o bebé da sua sócia comem a vossa comida?
Foram as nossas cobaias. São duas crianças gordinhas, saudáveis e adoram a nossa comida. Aliás, nunca mais cozinhei em casa. Levo as embalagens para casa e comemos todos Bebé Gourmet. Afinal, comida saudável é boa para todas as idades!

Mas a comida dos bebés é mais passada...
A partir dos 12 meses temos pratos tradicionais, sendo a nossa maior preocupação a adição de sal que é muito reduzida. Também não fazemos fritos e temos muita atenção aos refugados.

Antes da Bebé Gourmet trabalhava em que área?
Estava numa multinacional em consultadoria de gestão e trabalhava em projetos internacionais. Viajava à segunda-feira e regressava à sexta.

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O seu marido ajuda na gestão da empresa?
O meu marido também é consultor e está num projeto internacional, e só vem a casa aos fins de semana. Ajuda no que pode e incentivou-me imenso.

Como é que os seus pais viram esta decisão num momento tão crítico?
Como todos os pais são mais receosos, mas quando perceberam o que era o conceito, deram-me muita força.

A Bebé Gourmet já está a superar as suas expectativas?
Sim, a receptividade ao conceito tem sido muito positiva

As duas sócias têm tarefas definidas na empresa?
Sim. Eu estou mais ligada à parte comercial e a minha sócia à área financeira.

As creches e escolas que estão a fornecer, cozinhavam nas próprias instalações?
Sim, mas devido aos elevados custos de manutenção de equipamentos, contratação de pessoal, e de toda a logística de compra dos ingredientes consumir muito tempo e não ser prático para uma escola, acabaram por contratar os nossos serviços.

Porque chamam gourmet à vossa comida?
Porque em primeiro lugar usamos ingredientes de qualidade e depois há um especial cuidado em tornar o prato apelativo para as crianças. Os nossos pratos têm cor porque os legumes estão sempre presentes, e isso faz com que as crianças se interessem mais pela comida.

A vossa cozinha tem capacidade para produzir quantas refeições em simultâneo?
Podemos fazer cerca de 300 refeições por ciclo, mas podemos desdobrar vários ciclos ao longo do dia. Ainda estamos longo de esgotar a nossa capacidade.

Os restaurantes também são um mercado potencial?
Faz parte dos nossos planos contactar os restaurantes para disponibilizar as nossas refeições. Aliás, sempre que vou jantar fora, levo as refeições Bebé Gourmet: sopa, prato principal e sobremesa, e peço para aquecerem no restaurante.

Entregam as refeições em casa?
Para encomendas com valor igual ou superior a 20 euros, fazemos entregas ao domicílio na zona em Lisboa.

Como ocupa os tempos livres?
Adoro ler, ir ao cinema, estar com os amigos e viajar.

 

Texto: Palmira Correia

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