A linguagem não-verbal é tão importante como a verbal mas, muitas vezes, esquecemo-nos disso. Os nossos gestos, a nossa postura, a nossa expressão facial, o contacto visual e a nossa imagem, pela forma como nos apresentamos, podem denunciar tudo aquilo que queremos esconder e até passar uma ideia totalmente errada daquela que queremos transmitir. A boa notícia é que pode aprender a controlá-los e o primeiro passo é ter consciência deles.

"Comunicamos muita informação através da linguagem não-verbal e não apenas através daquilo que dizemos e, infelizmente, não temos consciência disso", lamenta Irina Golovanova, especialista em linguagem não-verbal, fundadora da The Body Language Academy e autora do livro "O que dizem os seus gestos", publicado pela Porto Editora. "Por que me estás a olhar dessa forma?" é, segundo a autora, o exemplo de uma pergunta que o denuncia.

Denuncia que, mesmo sem querer, estamos a comunicar através da linguagem não-verbal e, dessa forma, a gerar conflitos. "Temos de pensar como é que queremos ser vistos em determinada situação e ajustar, depois, a linguagem não-verbal a esta, o que na maioria dos casos não acontece, porque as pessoas acham que não há nada a fazer, mas não é bem assim. Quando nós nascemos, não temos hábitos e vamos aprendendo", sublinha.

"Logo, podemos fazer o mesmo com a linguagem não-verbal", assegura a especialista, que ao longo da carreira tem investigado precisamente essas técnicas. Irina Golovanova divide a comunicação não-verbal em várias subcategorias. Para além da postura, (co)existem os gestos, a voz e o contacto visual e, tal como faz no livro que publicou, "O que dizem os seus gestos", aponta alguns conselhos para melhorar este tipo de linguagem.

O que revela a sua postura

Se Irina Golovanova tivesse de salientar um dos itens da linguagem não-verbal, não tem dúvidas. Destacaria a postura e a razão é simples. "É uma das primeiras impressões que transmitimos e influencia também o tom da nossa voz", refere. A especialista lembra mesmo o que apuraram duas investigações da Harvard Business School nos EUA.

Há um estudo diz que as pessoas que ocupam mais espaço e endireitam as costas se sentem mais confiantes e outro que refere que as pessoas com costas direitas confiam mais no que dizem. "Há pessoas que enchem uma sala, não deixando espaço para mais ninguém, têm costas direitas, ocupam espaço e transparecem confiança", sublinha.

O que dizem os seus gestos

Pernas, pés, mãos, cabeça, tudo importa quando o tema é a linguagem não-verbal. "As pontas dos pés costumam indicar qual é o nosso objeto de interesse quando estamos numa conversa. Se estiverem virados para a pessoa com quem estamos a conversar, é ela que é importante. Se estiverem virados para uma porta, significa que nos queremos ir embora", explica a especialista.

"Os gestos das mãos, como brincar com o anel, muitas vezes, não têm qualquer significado, mas são percecionados pelos outros como manifestações de insegurança ou nervosismo, tal como morder os lábios. Já os braços cruzados costumam ter uma conotação negativa, enquanto que, quando inclinamos a cabeça e a abanamos, mostramos que estamos a ouvir a outra pessoa", refere.

A informação que transmite pelo contacto visual

Olhar os outros nos olhos é muito importante. Irina Golovanova confirmou-o em dois estudos que fez sobre o tema, um na The Body Language Academy e outro na Academia Militar. O resultado foi o mesmo. "O contacto visual é fundamental e os líderes civis ou militares só têm a ganhar com ele. Os comandantes que não fazem contacto visual perdem a sua imagem de líderes e o desempenho dos subordinados está correlacionado com isso", garante.

O que esconde a sua expressão facial

Não há como negá-lo. "As pessoas mais expressivas conseguem criar mais empatia com os outros, porque dão a sensação de conseguirem controlar o que está a acontecer", esclarece a autora de "O que dizem os seus gestos". No entanto, pode haver um reverso da medalha. "Também transparecem mais facilmente o que não devem e o que não querem", diz. "Há quem não transpareça nada, nem positivo, nem negativo, como [Vladimir] Putin", refere, contudo.

"Nesses casos, o ponto forte é não transparecerem nada do que não querem", afirma. O sorriso é um aspeto importante da expressão facial e abre portas em qualquer parte do mundo. "Até no mundo militar, os líderes que sorriem são percecionados como mais confiantes, mais empáticos, o que faz com que os seus subordinados se esforcem mais", refere. "Quem não gosta de estar com pessoas felizes?", questiona mesmo Irina Golovanova.

A informação que a sua voz veicula

A voz influencia o discurso. "É um canal muito expressivo e há estudos que mostram que não influencia apenas a perceção que os outros têm de nós, mas também a nossa própria perceção. Se falarmos num tom mais grade tornamo-nos mais confiantes", realça Irina Golovanova. O tom da nossa voz depende muito da nossa postura. "É impossível termos uma voz forte ao ter um corpo fraco, por isso, temos de ter atenção ao nosso corpo e treiná-lo", diz.

As ideias que a sua imagem passa

Já diz a sabedoria popular que uma imagem vale mais do que mil palavras. A especialista sublinha que, tal como a postura, a imagem faz parte das primeiras impressões e dentro daquela insere-se não só a roupa, que depende muito do contexto, mas também as cores, que influenciam a forma como os outros nos veem e como nos sentimos.

"Se precisamos de mais energia e de nos sentirmos mais confiantes, vestimo-nos de vermelho, porque este aumenta o nosso batimento cardíaco e o da pessoa que está à nossa frente", ensina a especialista. O azul escuro, que também é uma cor forte e significa competência, condiz muito bem com vermelho, sendo um misto entre confiança e competência.

Nunca faça isto!

Se quer passar uma imagem de competência, segurança, autoconfiança e credibilidade, não use gestos especificadores. "Não nos trazem nada", garante Irina Golovanova, especialista em linguagem não-verbal, que destaca os seguintes:

- Mexer no cabelo
- Coçar-se
- Mexer nos anéis
- Roer as unhas
- Curvar as costas
- Morder ou lamber os lábios

Guia prático

O que fazer para melhorar a linguagem não verbal em apenas três passos:

1. As pessoas têm de definir o que querem transmitir em cada momento a curto, médio e longo prazo.

2. Fazer uma autoanálise é fundamental para perceber se o que se está a transmitir é aquilo que se quer. Peça a opinião dos outros e registe-a.

3. Depois disso, só tem de ajustar os dois pontos anteriores. Nesse processo, deve ter sempre consciência da linguagem não verbal e controlá-la.

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