Durante os últimos dez anos, epidemiologistas da Universidade de Harvard têm vindo a demonstrar os efeitos protectores do exercício físico contra várias doenças graves. Este pode, virtualmente, provocar alterações em todos os tecidos
do corpo humano, mas visto actuar através de diferentes caminhos (metabólico, hormonal, neurológico e mecânico) não é fácil perceber, de uma forma integrada, a razão e a forma como funciona.

Sabemos que o exercício é bom para nós. Mas porquê? É a esta pergunta que procuramos dar resposta.

Ossos mais fortes

O exercício físico é particularmente importante na prevenção da osteoporose, uma doença que prefere o sexo feminino, torna os ossos mais frágeis e aumenta o risco de fractura. Com a idade os músculos tendem a atrofiar e os ossos a enfraquecer. Ora até aos 30/35 anos uma vida activa e a prática regular de exercício físico ajudam a obter um bom pico de massa óssea.

A partir dessa idade, contribuem para que a perda óssea seja mais lenta ou estabilize. O exercício assume ainda um papel crucial na vida de quem não
conseguiu escapar a esta patologia.

Apesar de o exercício físico não prevenir o aparecimento da maioria das doenças reumáticas, as quais têm um determinismo genético, «a sua prática regular poderá retardar o aparecimento ou atenuar a intensidade de apresentação dessas patologias, em particular da osteoartrose e das dores nas costas», refere Augusto Faustino, reumatologista.

Marcha contra a diabetes

Quando os cientistas pretendem estudar certas doenças em ratinhos de laboratório, submetem-nos a uma dieta rica em gorduras e açúcar e não os deixam fazer exercício físico. Ao fim de algumas semanas, os animais
tornam-se obesos e,
passados pouco meses, desenvolvem diabetes.

A sociedade moderna colocou-nos praticamente no mesmo ambiente, colocando ao nosso dispor um número quase ilimitado de calorias e alimentos e muito pouca actividade física. No ano 2000, a Organização Mundial da Saúde apurou que existem
171 milhões de diabéticos em todo o mundo e estima-se que este número possa chegar aos 366 milhões em 2030.

Mas, segundo os cientistas da Universidade de Harvard, basta andar entre meia hora a 45 minutos por dia para diminuir em cerca de 30 a 40 por cento o risco de desenvolver esta doença. Não se conhece nenhuma outra forma de prevenção tão eficaz quanto esta.

Factor vital

Uma das principais consequências da diabetes é o desenvolvimento de doenças cardiovasculares, fatais em 75 por cento dos pacientes, e também nesta situação a prática de exercício físico é determinante.

«É um investimento na saúde e deverá ser umas das grandes prioridades da nossa vida», refere Manuel Carrageta, presidente da Fundação Portuguesa de Cardiologia.

A marcha em passo rápido deve ser realizada diariamente, durante meia hora ou dividida em períodos mais pequenos, «pelo menos dez minutos seguidos, de
forma a ter benefícios para o coração», refere o cardiologista.


Veja na página seguinte: Por que deve diversificar as actividades aeróbicas

Convém, no entanto, diversificar as actividades aeróbicas (as que aumentam o ritmo cardíaco e respiratório), como natação e ciclismo, «para não sobrecarregar os músculos e articulações», sublinha.

«Para além dos benefícios para a saúde do coração, a actividade física melhora o perfil lipídico do sangue, reduzindo os
triglicéridos e melhorando os níveis de colesterol», acrescenta ainda.

Arma anti-cancro

As mais recentes recomendações da American Cancer Society enfatizam a importância da actividade física para a diminuição do risco de cancro,
indicando um mínimo de 30 minutos de actividade física moderada, cinco dias por semana. Não dispõe desse tempo?

Esta entidade refere que «45 minutos ou mais de actividade moderada a intensa, cinco ou mais dias por semana pode promover uma maior redução do risco nos cancros da mama e do cólon».

Texto: Vanda Oliveira com Augusto Faustino (reumatologista) e Manuel Carrageta (cardiologista)

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