A gaguez representa uma alteração na fala, que a nível prático implica que uma pessoa - seja criança, seja adulto - sabe exatamente aquilo que quer transmitir e comunicar, mas não consegue efetivar o som de forma clara e fluída. Já todos ouvimos alguém gaguejar ou tivemos essa experiência, nos momentos em que se gagueja a fala torna-se pautada por prolongamentos do som, repetições sucessivas do som ou pausas longas no meio dos sons, isto é das palavras.

Assim, a gaguez é um fenómeno altamente complexo que precisa de uma intervenção multidisciplinar para atenuar as suas causas e os seus sintomas.

Um aspeto muito importante associado à gaguez e, por vezes, esquecido é o aspecto emocional. Isto é, independentemente de todas as causas que podem estar na origem da gaguez, é muito comum encontrarmos nas pessoas com gaguez um registo comum ao nível da forma como lidam com as suas emoções. Regra geral, as pessoas com gaguez têm um grande predomínio de contenção emocional, assim, tendem a exercer um grande controlo sobre tudo aquilo que pensam, sentem e fazem.

E, sempre que exercemos um grande controlo emocional, aquilo que acaba por acontecer, é que tudo em nós se inibe, a nível físico, a nível cognitivo e, como não podia deixar de ser, também a fluência verbal fica comprometida. Mesmo que nunca tenhamos passado por um episódios de gaguez, todos nós já passamos por episódios de controlo emocional e, certamente, já nos apercebemos que sempre que fazemos esse controlo o nosso corpo ressente-se a nível muscular ou a nível de obstipação, por exemplo.

Por tudo isto, na compreensão do fenómeno da gaguez é essencial ter em consideração a parte psicológica, sendo que no processo terapêutico a primeira intervenção compreenderá sempre a diminuição do controlo emocional e a pessoa sentir-se mais solta, para que, todos os seus movimentos possam gradualmente tornar-se mais livres, espontâneos e fluidos.

O Psicólogo é assim essencial na parte técnica de diminuir os episódios de  gaguez, mas também em todas as externalidades negativas associadas com frequência à gaguez, como  por exemplo, a falta de confiança em si, o isolamento social, a ansiedade e o bullying.

No fundo é absolutamente imprescindível olharmos para a gaguez de uma forma ampla considerando todos os seus aspectos multifatoriais e lembrando-nos sempre que, em qualquer das circunstâncias, nunca devemos fugir da gaguez, é essencial encará-la de frente e olharmos para tudo aquilo que a nível global a gaguez representa e pode dizer acerca de nós e do nosso mundo interno.

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