Todos os anos surgem, em Portugal, cerca de 5000 novos casos de cancro da mama, e a incidência continua a aumentar.

Apesar de algumas causas ainda serem desconhecidas, o cancro da mama tem alguns fatores de risco associados, pelo que a aposta na prevenção é fundamental. Alguns dos fatores de risco são: idade acima dos 60 anos; primeira gravidez depois dos 30 anos; maior ingestão de bebidas alcoólicas; tabagismo; obesidade; história familiar de cancro da mama; e alterações genéticas.

Recomenda-se, para a maioria das mulheres, a realização de exames de rastreio, a partir dos 40 anos, a cada 2 anos. Desta forma, um acompanhamento médico regular é fundamental.

Existem diferentes tipos de cancro da mama e, por isso, diferentes tipos de tratamento. Uma mulher com cancro da mama pode ser submetida a todos estes tipos de tratamentos: cirurgia, quimioterapia, radioterapia, hormonoterapia ou terapia biológica. Ou pode, também, fazer apenas um ou dois. Depende, sobretudo, do tipo de tumor da mama e daquilo a que se chama “o estadio da doença”.

Os tratamentos para o cancro da mama podem ser longos, com anos de duração. Durante os tratamentos, mais de metade das mulheres aumenta de peso, sobretudo se estiverem sob quimioterapia e se forem pré-menopaúsicas.

Alguns dos motivos subjacentes a este aumento de peso dizem não só respeito à medicação associada ao próprio tratamento, mas também aos mitos criados em torno da prática de atividade física e da alimentação.

Sob a orientação da equipa de saúde que a segue, a mulher deverá incluir (ou manter) a prática de exercício físico, pois tal contribui para a redução da fadiga, contraria o aumento de peso e aumenta a tolerância ao tratamento, ajudando na recuperação do sistema imunitário.

Claro que a atividade física terá de ser adaptada a cada situação (por exemplo: se fez, ou não, cirurgia com esvaziamento ganglionar) e não deverão ocorrer situações excessivas, daí que seja importante o aconselhamento da equipa multidisciplinar.

No que concerne à alimentação, a manutenção de um peso adequado numa mulher com cancro da mama melhora o seu prognóstico. A obesidade, para além de ser um fator de risco para o cancro da mama, está, também, associada a um maior risco de recidiva/metástases e de aumento da mortalidade.

Aumento de peso pode piorar prognóstico

Cientificamente, o facto do aumento de peso interferir no prognóstico está explicado: nas mulheres pós-menopáusicas, a maioria dos estrogénios são produzidos no tecido adiposo (vulgarmente conhecido por “gordura” ou “massa gorda”). Excesso de tecido adiposo leva a aumento de estrogénios pelo que, nos tumores dependentes de estrogénios, poderá ocorrer um crescimento tumoral. Para as mulheres pré-menopáusicas sob hormonoterapia aplica-se o mesmo princípio.

Não se deve, por isso, generalizar a ideia de que o aumento do consumo de alimentos ou uma alimentação mais calórica irão ser úteis durante o período de tratamento. Não obstante, também se devem evitar dietas extremas, pois estas estão, também, associadas a um pior prognóstico.

Durante os tratamentos de quimioterapia, e tendo em conta os efeitos secundários que daí poderão advir (náuseas, vómitos, fadiga, perda de apetite, entre outros), a mulher deve procurar manter uma alimentação equilibrada, adaptada a alguns desses efeitos secundários, que lhe permita manter a sua qualidade de vida, sem pecar por excesso, nem por defeito (o livro “Receitas Deliciosas para Doentes Oncológicos em Tratamento” tem receitas adequadas a cada efeito secundário e contabilização calórica).

Uma alimentação equilibrada, para manter um peso adequado, e a prática de atividade física, para evitar o aumento da massa gorda, são dois grandes aliados no combate ao cancro da mama.

Um artigo assinado por Sara Torcato Parreira, Enfermeira e Co-coordenadora do Conselho Técnico-Científico do Projeto de Nutrição Oncológica, e Ana Rita Lopes, Nutricionista e Co-coordenadora do Conselho Técnico-Científico do Projeto de Nutrição Oncológica.

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