O pescado ajuda a prevenir o aparecimento de doenças cardiovasculares e contribui para a diminuição de factores de risco para doenças associadas à obesidade. Cozido, gratinado ou assado, deve ter uma forte presença na ementa. A sardinha, o atum e o salmão são espécies ricas em ómega 3.

Alimentação equilibrada e variada que se preze, não dispensa o peixe, seja ele fresco, congelado, seco ou de conserva. Diversos estudos associam o consumo deste alimento a benefícios para a saúde, tais como a diminuição de factores de risco para doenças cardiovasculares, colesterol ou hipertensão. É igualmente fundamental na prevenção da obesidade e patologias associadas, como a diabetes. Não admira, pois, que entidades como a Organização Mundial de Saúde recomendem o seu consumo regular. De acordo com um estudo divulgado recentemente pelas Nações Unidas, o consumo de peixe a nível mundial, em 2010, contabilizou-se por uma média de 17 quilos por pessoa. No que respeita à produção mundial de peixe e produtos pesqueiros, de acordo com dados da ONU de 2009, foi de 145 milhões, dos quais 115 destinaram-se ao consumo.

Tal como as castanhas e as nozes, também o peixe é um alimento bastante rico em ómega-3 – ácidos gordos essenciais provenientes de dois tipos de gorduras polinsaturadas: EPA (ácido eicosapentaenóico) e DHA (ácido docosahexaenóico). Os ácidos ómega-3 não são produzidos pelo organismo, pelo que são obtidos através da ingestão de alimentos. O consumo de produtos alimentares com níveis elevados de ómega-3 tem, por isso, efeitos benéficos para a saúde. Os peixes gordos (atum, salmão, sardinha, carapau, arenque, truta, cavala, etc.) têm valores mais elevados que os peixes magros (pescada, peixe espada, bacalhau). O polvo, as lulas, o robalho, a solha, os camarões, o tamboril, entre outras espécies marinhas, são também fontes destes ácidos.

Importância para a saúde

Dada a importância para a saúde, foi inclusive criado uma efeméride. Assinalado a 3 de Março, o Dia Internacional do Ómega-3 foi idealizado por Carol Locke, fundadora do Omega Natural Science and Center for Creating Health e por William Butler, neurocirurgião pediátrico na Harvard Medical School. “Os ácidos gordos essenciais (PUFA) não são produzidos no organismo e são essenciais para a vida. São de duas grandes famílias (ómega-3 e ómega-6) e encontram-se na alimentação. Os ómega-6 nos óleos vegetais e gordura animal e os ómega-3, sobretudo nos peixes gordos”, referiu o Prof. Doutor Jacinto Gonçalves, vice-presidente da Fundação Portuguesa de Cardiologia (FPC), que abordou a importância dos ácidos gordos ómega-3 marinhos na prevenção cardiovascular, no seminário “Benefícios do Ómega-3”.

Os PUFA controlam funções biológicas fulcrais, nomeadamente a imunidade e os processos neoplásicos, a transmissão do impulso nervoso entre as células do sistema nervoso central, a inflamação, os reumatismos e, entre outras, a composição das gorduras no sangue. É, pois, evidente a sua importância não somente na prevenção de doenças cardiovasculares, mas também de patologias do foro neurológico, metabólico ou reumático.

São diversas as entidades que atestam esta importância. A Organização para a Alimentação e Agricultura (FAO) das Nações Unidas emitiu uma declaração conjunta com a OMS, na qual eram destacados os benefícios do pescado no desenvolvimento neurológico e na prevenção das doenças cardiovasculares. A Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (AESA) divulgou, no ano passado, um documento científico com recomendações do consumo de ómega-3, tendo os especialistas europeus considerado os ácidos eicosapentaenóico (EPA) e docosahexaenóico (DHA) importantes na prevenção do risco de doenças cardiovasculares. Nesse documento, a AESA aconselhava a ingestão de 250 mg por dia de EPA e DHA, para a população obter benefícios ao nível cardiovascular. Segundo dados científicos desta entidade, o consumo deverá aumentar de 100 a 200 mg durante a gravidez e amamentação.

Todavia, segundo Jacinto Gonçalves, nos últimos 100 anos, a ingestão de ómega-6 aumentou bastante e, proporcionalmente, diminuiu a de ómega-3. “É provável que a diminuição do consumo de ómega-3 seja uma das causas do aumento do reumatismo, do cancro da depressão, da doença de Alzheimer, dos acidentes vasculares cerebrais (AVC), da aterosclerose e mesmo da morte súbita”, mencionou o vice-presidente da FPC, que sublinhou a urgência de haver “um maior consumo de peixe e menor consumo de gorduras animais”, em prol da saúde.

Dia Internacional do Ómega-3

O seminário subordinado ao tema “Benefícios do Ómega-3” foi organizado pela Fileira do Pescado, com o intuito de assinalar o Dia Internacional do Ómega-3 (3 Março). Teve lugar no Instituto de Investigação das Pescas e do Mar (IPIMAR), no dia 2 de Março, e decorreu no âmbito da campanha “Pescado Controlado”, a qual é apoiada pelo Ministério da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas, pela Comissão Europeia (Fundo Europeu das Pescas) e pela Fundação Portuguesa de Cardiologia.

Para além da intervenção do Prof. Dr. Jacinto Gonçalves, a Doutora Cláudia Figueiredo, investigadora do Institut Nationale de la Recherche Agronomique (INRA), debruçou-se sobre os produtos da pesca e da aquacultura como fontes excepcionais de ómega-3; e a Doutora Narcisa Bandarra, investigadora do IPIMAR, focalizou-se nas fontes, funções e benefícios do ácido gordo.

Texto: Sofia Filipe

A responsabilidade editorial e científica desta informação é do jornal

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