O que podemos entender como dieta?

Uma dieta é qualquer regime alimentar. Corresponde à ingestão alimentar de um qualquer indivíduo. Em suma, todos fazemos uma dieta. Pode ser uma dieta de emagrecimento, uma dieta para aumentar de peso, uma dieta sem lactose, uma dieta hiperlipídica, hipoproteica. Isto de acordo com as necessidades, hábitos, crenças, desejo de cada um.

Existe a sobrevalorização das dietas?

Diria que sim. Em primeiro lugar associa-se muito frequentemente o termo dieta a emagrecimento. Mais, tudo o que nos é apresentado tendo a palavra dieta atrás, conduz à ideia de perda de peso. Por outro lado, as pessoas têm de interiorizar que a alimentação deve ser constituída por alimentos comuns, disponíveis de acordo com a época do ano, essencialmente de base vegetal, com pouca carne, e à base de hortícolas, cereais, leguminosas e fruta. É mais fácil aderir a uma dieta se ela tiver um rótulo, um nome que nos fique na cabeça, mesmo que, depois, aquilo que a dieta prescreve seja algo tão simples, como o que já referi.

As pessoas procuram fórmulas mágicas, não procuram mudar hábitos e comportamentos.

Vivemos prisioneiros das dietas?

Sim, vivemos reféns das dietas da moda. Especialmente quando chega a primavera e verão. Vale tudo para perder peso. Aliás, perder peso é relativamente fácil e qualquer dieta que provoque um desequilíbrio energético entre o que se consome e o que se gasta [em termos energéticos, sendo o gasto superior ao consumo], leva a perda de peso.

A maioria das dietas da moda permite fazer isto, ainda que, por vezes, com grandes desequilíbrios e consequências menos positivas para o organismo.

O problema da perda de peso é manter os quilos eliminados. Apenas as dietas equilibradas funcionam. Só uma dieta equilibrada permite reeducar hábitos e comportamentos e este tipo de mudança leva tempo. Há uma questão que as pessoas devem colocar a si mesmas: Quando se tem peso a mais, o percurso até aí chegados não é curto. Não é uma situação de algumas semanas semanas, ou mesmo meses. É, normalmente, uma condição de vários anos. Então de que vale perder todo o peso em poucas semanas ou meses? É preciso ser-se realista e fazer um plano de longo prazo.

“Na alimentação não importa contar as calorias. Antes olhar para o valor nutricional dos alimentos”
“Na alimentação não importa contar as calorias. Antes olhar para o valor nutricional dos alimentos”

É assim tão importante contar calorias?

Não é de todo importante contar calorias. Até porque o que interessa não são as calorias, mas o valor nutricional dos alimentos. Uma Coca Cola Zero não tem calorias, mas tem alguma coisa que interesse do ponto de vista nutricional? Induz saciedade? Fornece alguma substância com impacto positivo no organismo? Vamos ingerir alimentos só porque têm zero calorias?

Porções de alimentos dos diferentes grupos alimentares (ingestão média diária para um adulto):

Quatro porções de carne/pescado/ovos (120 g diários).

Sete a oito porções de cereais (três pães, 70 g de arroz / massa (em cru), 125 g de batata).

Quatro porções de hortícolas (aproximadamente 300 a 350 g).

Três peças de fruta.

Uma a duas porções de leguminosas (25 a 50 g secas, 80 g depois da demolha).

Duas porções de gorduras e óleos (duas colheres de sopa de azeite.

Duas a três porções de lacticínios (um copo de leite, um iogurte líquido, 30 g de queijo).

E vamos deixar de comer outros alimentos porque na nossa ideia têm, aparentemente, muitas calorias? Devemos escolher os alimentos com base na sua densidade nutricional (não confundir com energética). É preferível comer um bom prato de meia desfeita de bacalhau com grão e hortícolas, do que uma gelatina light com zero calorias. E os exemplos nesta matéria seriam muitos…

Não devemos contar calorias, devemos contar porções de alimentos dos diferentes grupos alimentares e ingerir diariamente essas porções adequadas a diferentes grupos [ver quadro].

Em relação aos hortícolas, por exemplo, desafio as pessoas a pesarem 350 g para observarem qual é o volume obtido e fazerem o mesmo exercício em relação à carne.

Uma alimentação de elevada densidade nutricional, permite nos comer uma enorme quantidade de comida.

Claro que se quisermos comer bolos, bolachas, doces, salgados, o limite é muito apertado, pois estes são alimentos nos quais com um peso muito pequeno, temos muita energia. Mas, qual é o valor nutricional? Zero.

“Na alimentação não importa contar as calorias. Antes olhar para o valor nutricional dos alimentos”
“Na alimentação não importa contar as calorias. Antes olhar para o valor nutricional dos alimentos”

A promoção das dietas é atualmente um negócio?

Sim, as dietas são um negócio. Como referi antes, se tivermos um "rótulo", é mais fácil aderir. Acresce que as pessoas procuram fórmulas mágicas, não procuram mudar hábitos e comportamentos.

Finalmente, como saber resistir à ditadura das dietas?

Neste ponto, indo ao encontro do que já referi, fazer uma alimentação de base vegetal, optar por alimentos frescos, no seu estado mais próximo da natureza. Cozinhar em casa, evitando comprar pronto ou processado. Não se prende, apenas, a questões de saúde, mas também com a sustentabilidade do planeta.

Imagem de abertura do artigo cedida por Freepik.


Cláudia Viegas é Professora Adjunta na Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Lisboa. Os seus principais interesses de investigação estão relacionados com Alimentação em contexto de Hotelaria e Restauração na relação com a Saúde Pública, Promoção e Proteção da Saúde e Estilos de Vida.