21 de março de 2014 - 11h42
A Quercus revelou hoje ter a confirmação da presença da vespa-asiática na cidade do Porto, exigindo ao Governo que o plano de ação contra esta espécie exótica e invasora seja “efetivamente aplicado com urgência”.
Em declarações à Lusa, o vice-presidente da Quercus, João Branco, afirmou que foram observados “indivíduos, mas não ninhos, no Jardim Botânico do Porto” por um entomólogo consultor da associação.
“O Governo tenta minimizar a situação, afirmando que se trata de uma praga que existe apenas na região de Entre Douro e Minho, mas a Quercus tem a confirmação da sua ocorrência na cidade do Porto e teme que rapidamente se propague a outras regiões do país”, alertou a associação, em comunicado enviado à agência Lusa.
Segundo João Branco, “tem de haver um plano de ação que garanta um combate eficaz”, porque o que existe “depende das pessoas, ou seja, só após comunicação da existência de ninhos é que a Direção Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) atua”.
“Isto não chega, é preciso que haja uma busca sistemática dos ninhos da vespa-asiática e sua posterior destruição”, defendeu.
O ambientalista recordou que a introdução fortuita ou intencional de espécies exóticas e invasoras “foi considerada uma das principais causas da perda da biodiversidade e de degradação dos serviços de ecossistemas em toda a União Europeia e no mundo”.
“O custo económico das espécies exóticas e invasoras é estimado em pelo menos 12 mil milhões de euros por ano na União Europeia”, sustentou, acrescentando que a vespa-asiática “está em expansão há vários anos provocando prejuízos na atividade apícola e na perda da biodiversidade, ao reduzir o número de polinizadores.

Para João Branco, “não tem lógica” o Estado “estar a distribuir milhões para a apicultura (através de fundos comunitários) e não combater esta praga”, podendo estar-se perante “um investimento perdido”.
O ambientalista destacou ainda ser desconhecido o impacto que a vespa-asiática tem nos outros insetos polinizadores, porque “apenas se sabe que ataca abelhas”.
Na luta contra esta praga, “muitos apicultores acabam por combater todas as vespas, indiscriminadamente, e há vespas autóctones que combatem a vespa-asiática”, acrescentou.
No comunicado, a Quercus adianta estar a preparar uma campanha pública sobre a proteção dos polinizadores que visa, entre outros objetivos, “alertar para os perigos que a introdução de espécies exóticas pode ter nos ecossistemas, dando destaque a uma campanha urgente de informação relativa à vespa-asiática” e “sensibilizar os agricultores, em particular, e a opinião pública, em geral, para os perigos do mau uso dos pesticidas na saúde pública e no desaparecimento dos polinizadores”.
A Lusa contactou a Câmara do Porto e a Direção de Serviços de Alimentação e Veterinária da Região Norte para obter esclarecimentos sobre a presença da vespa-asiática na cidade, aguardando respostas.
O responsável da Quercus chamou ainda a atenção para outras espécies exóticas e invasoras que ameaçam a produção de frutos pequenos (mirtilos, morangos, framboesas e cerejas) e a produção de castanha, a mosca Drosophilasusukii e a vespa do castanheiro Dryocosmus, respetivamente, para as quais é preciso estar alerta. 
A espécie invasora, como outras vespas, constitui uma das pragas da colmeia, mas não é uma ameaça sanitária por não ser fonte de transmissão de doença às abelhas. Também não representa perigo imediato para humanos.
A vespa asiática é maior e mais agressiva do que a espécie autóctone nacional e foi introduzida na Europa através do porto de Bordéus, em França, em 2004.
SAPO Saúde com Lusa

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