2 de junho de 2014 - 10h22

Uma vacina oral mostrou-se eficaz no combate à cólera em 86% dos casos, durante uma epidemia na Guiné, segundo um relatório publicado quarta-feira na revista New England Journal of Medicine (NEJM).

O estudo, conduzido pelo centro de pesquisas dos Médicos Sem Fronteiras (MSF) e pelo Ministério da Saúde da Guiné, é o primeiro a mostrar que a vacina oral contra a cólera oferece uma rápida proteção e poderá ser uma ajuda para controlar futuros surtos.  

"Por nunca termos documentado a eficácia desta nova vacina em condições epidêmicas reais, não tínhamos informações suficientes para compreender o potencial desta vacina como ferramenta de controlo em surtos de cólera", disse Francisco Luquero, investigador principal do estudo.  

O responsável explicitou que se sabe agora que "a vacina oferece uma proteção de elevado nível em situações de surto e que, para além de outras medidas preventivas e de controlo, este método pode e deve ser administrado quando nos deparamos com uma situação de surto".  

A vacina, de nome Sanchol, está armazenada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para uso em emergências e foi considerada - das duas vacinas pré-qualificadas pela organização - o método mais adequado para os países em desenvolvimento, por ser mais acessível, mais fácil de produzir, de transportar e de manter em depósito.  

O estudo, publicado na NEJM, fez parte de um projeto do Centro de Pesquisa de larga escala sobre vacinação oral contra a cólera na Guiné em 2012, o primeiro dedicado a este tema realizado durante um surto em África.

Na campanha de vacinação, o Ministério da Saúde da Guiné juntamente com os MSF distribuíram mais de 316.000 doses de vacinas, durante um período de seis semanas nos distritos costeiros de Boffa e Forecariah, que atingiram uma taxa de imunização superior a 75%.   

"Conseguimos mostrar que com um bom planeamento e divulgação nas comunidades é possível vacinar centenas de milhares de pessoas em áreas remota, cuja grande parte da população é nómada, num curto espaço de tempo", disse a médica e responsável pelo projeto, Iza Ciglenecki. 

Depois de confirmado, através de um teste rápido, as suspeitas
de casos de cólera numa comunidade local as equipas contabilizaram o
número de pessoas a quem tinham sido administradas a Shanchol e
perceberam que a vacinação das duas doses atingiu uma taxa de 86% na
proteção da doença.   

Esta vacina oral foi recomendada pela OMS,
em 2012, para a prevenção e controlo da cólera, e no ano passado a
organização juntamente com os seus parceiros criaram o armazenamento de
emergência.   

O receio de desviar recursos de outros programas,
assim como as preocupações de viabilidade, oportunidade e aceitabilidade
por parte das comunidades, têm desencorajado o uso da vacina, que ainda
não é utilizada como ferramenta de saúde pública para o controlo da
doença.   

"Estes resultados, tanto na viabilidade das vacinas
orais como na eficácia durante uma emergência real, irão reforçar os
esforços para integrar este método na resposta global aos surtos de
cólera", disse Rebecca Grais, uma das autoras da publicação.   

"Até
há muito pouco tempo, as vacinas da cólera não eram consideradas
ferramentas para o controlo de surtos", explicou a autora, acrescentando
que várias epidemias da doença têm mostrado a insuficiente resposta aos
surtos, e por isso a administração deste método melhorará a capacidade
de prevenção e controlo de epidemias, para que assim se salvem mais
vidas

SAPO Saúde com Lusa

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