O ministro da Saúde, Paulo Macedo, garantiu hoje que a limpeza das listas de utentes dos cuidados primários não vai privar ninguém de médico de família, mesmo os que procurem consulta num prazo de três anos.

"Ao fim de três anos, [os utentes menos assíduos] não perdem o direito ao médico de família, nem perdem a sua assistência. Ficam é num segundo ficheiro, que permite uma melhor organização da atribuição dos médicos aos utentes", explicou Paulo Macedo.

No âmbito do processo para tornar as listas "mais corretas", o ministro disse ainda que estão a ser desenvolvidas outras experiências como o cruzamento dessas listas com os resultados dos Censos de 2011.

Paulo Macedo justificou a limpeza dos ficheiros das unidades de cuidados primários porque Portugal tem quase 12 milhões nos centros de saúde, quando os utentes reais serão inferiores a 10 milhões, o que se deve a inscrições de alguns utentes em vários centros de saúde e à manutenção nas listas de pessoas que morreram ou imigraram.

Ainda em resposta a perguntas dos jornalistas, Paulo Macedo negou uma alegada intenção governamental de fechar grandes urgências no Grande Porto, nomeadamente a de Gaia, uma matéria que será abordada na quarta-feira, em conferência de imprensa, por utentes dos serviços de saúde.

"Não há qualquer plano de fecho de qualquer grande urgência no Grande Porto, há, sim, estudos que falam da reorganização de urgências. Agora, fecho é completamente falso", garantiu.

O ministro da Saúde falava aos jornalistas após inaugurar a Unidade de Saúde Familiar (USF) S. Miguel Arcanjo, que funciona no centro de Saúde de Rebordosa, Paredes, uma estrutura alvo de queixas sobre alegadas irregularidades no funcionamento.

Paulo Macedo admitiu que há uma queixa na Inspecção de Atividades em Saúde, "que está a seguir os seus trâmites" mas, acrescentou: "não é por isso que deixo de visitar unidades de saúde".

"Aliás, se calhar não visitava uma grande parte das unidades hospitalares porque, infelizmente, queixas têm quase todas as grandes unidades do país", assinalou.

O movimento Rebordosa ComVida sugeriu que o ministro da Saúde foi "empurrado" para dar cobertura a um "vasto conjunto de cumplicidades, favorecimentos e ilícitos" ao inaugurar hoje a USF daquela localidade.

23 de fevereiro de 2012

@Lusa

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