O secretário de Estado Adjunto e da Saúde afirmou ontem que o suicídio é um “problema de saúde pública” e uma “realidade crescente” em Portugal que necessita de medidas prioritárias para o combater.

“Há duas razões pelas quais nós estamos a ter uma maior mortalidade registada por suicídio: uma delas é que temos a noção clara de que o suicídio é um problema de saúde pública em Portugal”, disse Fernando Leal da Costa em entrevista à agência Lusa.

Apesar do suicídio ter variações regionais e ainda não ter a dimensão tão elevada como noutros países, nomeadamente do Norte da Europa, Leal da Costa afirmou que “é uma realidade crescente em Portugal, nomeadamente o suicídio de idosos que se prende claramente com circunstâncias que têm a ver com o abandono social e com condições mais difíceis de sobrevivência”.

Para combater a solidão dos idosos, foi criado pelo Ministério da Saúde e pelas estruturas da Segurança Social um programa de acompanhamento e ainda este ano será lançado o plano para prevenir os suicídios em Portugal, na sequência do aumento esperado de depressões devido à crise.

“Esta situação leva-nos a pensar que temos de inventar outras medidas e temos um plano nacional de prevenção de suicídio que está neste momento a ser ultimado e isso para nós é muito prioritário”, frisou.

Leal da Costa ressalvou que o aumento do número de suicídios também pode ser atribuído a um maior registo do suicídio como causa de morte nas certidões de óbito.

“Nós sabemos desde há muitos anos que o suicídio em Portugal, como em outros países da Europa, está subnotificado, muitas vezes por circunstâncias relacionadas com algum risco de estigmatização social e até com condições específicas das apólices de seguro de vida”, justificou.

Para Leal da Costa, este é um aspeto que tem de ser melhorado: “Nós temos de ter uma noção mais precisa da realidade para poder combatê-la”.

Os dados da base Pordata mais recentes indicam que 1.098 pessoas se suicidaram em 2010, mais 84 do que no ano anterior.

Questionado pela Lusa sobre se com a crise se pode haver um aumento das taxas de suicídio, o secretário de Estado afirmou que, “em todas as circunstâncias de maior crise económica ou financeira, com o aumento do desemprego, aumento de situações de maior dificuldade social, individual e familiar, é possível e imaginável que isso aconteça”.

Leal da Costa alertou para o papel que a sociedade pode ter para prevenir estes casos: ”Acima de tudo tem de estar mais consciente para o problema e para a necessidade de nos mantermos mais solidários e mais atentos a quem precisa”.

“A Sociedade em geral tem muito para fazer, mas os ministérios da Saúde e da Solidariedade e Segurança Social estão atentos e a conduzir políticas que não passam somente por questões de apoio económico e financeiro, mas também por alertar as pessoas para os problemas dos outros”, sustentou.

09 de abril de 2012

@Lusa

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