A prevenção do consumo de álcool pelos jovens exige programas mais eficazes que sejam implementados antes de se iniciar o consumo, defendeu quinta-feira em Sesimbra o psicólogo clínico do Instituto da Droga e da Toxicodependência (IDT), Raul Melo.

“Temos de criar programas de prevenção mais eficazes e dirigidos aos jovens até aos 13 anos”, disse Raul Melo, que falava nas II Jornadas de Alcoologia, que começaram quinta-feira e acabam hoje, em Sesimbra.

Raul Melo justificou a proposta com o facto de os programas de prevenção desenvolvidos antes de se iniciarem os consumos apresentarem quase sempre melhores resultados do que aqueles que se destinam às pessoas que já são consumidoras, ao mesmo tempo que advertia para outras abordagens de sinal contrário.

“A escola pode estar a fazer um trabalho fantástico [de prevenção], mas o bar ali ao lado faz ‘happy-hour’ às seis da tarde”, disse, lembrando que também há quem faça tudo para persuadir os jovens a consumirem álcool.

Raul Melo foi um dos oradores no painel sobre o ‘Uso e Abuso do Álcool na Sociedade Atual’, em que se falou das ‘Ações no Âmbito da Prevenção’, ‘Os Media e o Álcool’ e ‘Novos Padrões de Consumo de Álcool’.

Para o psiquiatra José Francisco de Matos, do Hospital dos Capuchos, na origem dos novos padrões de consumo de álcool estão, muitas vezes, as mensagens que todos nós enviamos às crianças.

“O que ensinamos às crianças é que os adultos bebem vinho ou cerveja, que eles [as crianças] podem ‘substituir’ por coca-cola ou por sumos. A água, quando muito, é para beber nos intervalos das refeições”, disse.

“A crianças aprendem que o álcool faz mal à saúde, mas depois aceita-se que os jovens festejem um êxito com consumo de álcool em excesso”, acrescentou.

Preocupado com o aumento do consumo de álcool entre os jovens, José Francisco Matos advertiu para as consequências que esta nova realidade poderá ter para as jovens mulheres, que, neste domínio, têm comportamentos cada vez mais idênticos aos dos jovens do sexo masculino.

“O comportamento [consumo de álcool em excesso] é igual, mas a vulnerabilidade das mulheres é muito maior”, frisou, lembrando a especificidade do corpo da mulher, em que o excesso de consumo de álcool favorece a produção de “mais tecido adiposo” e apresenta um maior risco de contrair doenças como a cirrose.

José Francisco Matos referiu ainda que muitos jovens “encontraram uma nova forma de emagrecimento”, porque o álcool ajuda a diminuir a dor provocada pela fome, mas considerou que se trata de uma realidade que também vai ter consequências graves.

“Se o problema do álcool é complicado, a anorexia alcoólica mais complicada é”, sentenciou.

Na discussão sobre ‘Uso e Abuso do Álcool na Sociedade Atual’, ficou ainda a recomendação da jornalista Marina Caldas, que falou sobre ‘OS Media e o Álcool’, para defender a necessidade de mais prevenção, não através dos programas informativos e dos jornais, mas das telenovelas, como já se faz em algumas portuguesas e, principalmente, nas brasileiras.

“Os brasileiros perceberam que podiam passar a mensagem através das novelas”, disse.

17 de junho de 2011

Fonte: Lusa/SAPO

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