Em Portugal, no ano de 2020, morreram cerca de 123 mil pessoas, o correspondente a uma taxa de mortalidade de 12%. No ano de 2021, até ao dia 31 de dezembro, morreram cerca de 18 mil pessoas devido ao coronavírus (COVID-19).

Tendo em consideração que “por cada morte, cerca de seis pessoas encontram-se em processo de luto”, como aponta a psicóloga clínica Sofia Gabriel, estima-se que, no mínimo, cerca de 108 mil pessoas se encontram a sofrer a perda de uma pessoa significativa.

Ao longo dos anos, a sociedade tem vindo a adotar um papel tendencialmente negativo perante a morte. O sofrimento originado por uma perda é, não raras vezes, desvalorizado e silenciado por aqueles que rodeiam a pessoa em luto. São comuns argumentos como “a vida é mesmo assim”, “chegou a hora dele” ou “ela está num lugar melhor”, funcionando como uma espécie de pressão social para as pessoas em luto reprimirem o seu sofrimento e superarem a perda com a maior brevidade possível.

Ainda que a morte seja um processo natural e integrante do ciclo da vida, a perda de uma pessoa significativa é, para alguns, a experiência mais traumática e violenta das suas vidas. Neste sentido, para a aceitação e integração da perda na identidade e história de vida, as pessoas em luto não podem, de todo, ser silenciadas.

Neste sentido, a Mind | Instituto de Psicologia Clínica e Forense disponibiliza uma nova resposta para as pessoas que se encontram a gerir a perda de uma pessoa próxima: grupos terapêuticos de apoio.

Segundo Mauro Paulino, Coordenador da Mind, esta é “uma resposta complementar à consulta de apoio psicológico no luto que consta nos nossos serviços e que temos vindo a desenvolver ao longo dos últimos anos”.

Sofia Gabriel, psicóloga clínica e responsável pela consulta de apoio psicológico no luto, especifica que “irão existir grupos de apoio para pais em luto e para irmãos em luto, bem como grupos de apoio para pessoas que estejam a sofrer a perda de uma pessoa próxima, como a perda de um companheiro, de um amigo ou familiar”.

Especificamente no que remete para os grupos de apoio para pais em luto, destaca-se o trabalho que tem vindo a ser realizado pela Mind | Instituto de Psicologia Clínica e Forense no âmbito do cancro pediátrico e da perda gestacional.

Em colaboração com a Acreditar | Associação de Pais e Amigos de Crianças com Cancro, “foi lançada uma campanha e petição que culminou com o alargamento do período de luto pela perda de um filho para 20 dias”, recorda Mauro Paulino.

Sofia Gabriel avança que “os pedidos de ajuda no âmbito da perda gestacional têm sido crescentes. Esta é uma perda altamente estigmatizada pela sociedade e, por isso, é imperativo que o sofrimento seja valorizado, reconhecendo a perda gestacional como luto parental. É por isso que consideramos que os grupos terapêuticos, enquanto resposta complementar, são uma ferramenta fundamental para um processo de luto menos doloroso, silenciado e estigmatizado”.

“São inúmeras as investigações científicas no âmbito do estudo do processo de luto que apontam para os benefícios dos grupos terapêuticos de apoio”, diz Mauro Paulino, psicólogo clínico e forense. Neste sentido, e de acordo com Sofia Gabriel, “em traços gerais, os grupos facilitam a existência de um leque de ferramentas para a gestão da dor e a consequente integração da perda na identidade e história de vida”.

Como funcionam os grupos terapêuticos de apoio no luto?

Sofia Gabriel, que coordenou o livro Luto – Manual de Intervenção Psicológica, esclarece que “os grupos de apoio apresentam como principal objetivo facilitar a expressão do sofrimento num contexto seguro, protetor e ausente de julgamentos ou críticas, promovendo assim a ajuda mútua e recíproca. Por exemplo, a partilha de estratégias para a gestão da dor e de rituais do luto que permitam sentir uma maior proximidade emocional à pessoa perdida”.

O psicólogo clínico e forense destaca que “um maior conhecimento acerca do processo do luto permite uma sensação de maior controlo sob os sintomas e a desconstrução de pensamentos negativos, por exemplo relacionados com a culpa”, sendo mais um importante objetivo neste registo de intervenção terapêutica grupal.

Que benefícios se encontram associados a este tipo de resposta?

Em termos psicológicos, Mauro Paulino sublinha que os benefícios são vários, como a “sensação de ser partilhada uma experiência comum, o que facilita a proximidade emocional entre os membros do grupo e a normalização dos sintomas e desafios inerentes ao processo de luto”.

Ainda que o processo de luto seja uma experiência única e individual, “as pessoas sentem uma maior compreensão e empatia e não temem expressar os seus medos, inseguranças e dúvidas, pois sabem que a pessoa ao lado também se encontra em sofrimento”, explica a psicóloga clínica, que desde os tempos universitários dinamizava grupos com mães em luto. Sofia Gabriel acrescenta que “a presença e envolvimento do terapeuta nas sessões facilita as partilhas e transmite segurança, impedindo que os membros se sintam sozinhos ou perdidos”.

A periocidade dos grupos terapêuticos de apoio no luto é semanal, modalidade online e em horário pós-laboral. Mauro Paulino reforça que “o objetivo é chegar ao maior número de pessoas em sofrimento, em qualquer ponto do país”.

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