Os pacientes diagnosticados com esta doença não sobrevivem, em média, mais do que um ano. O estudo, divulgado esta semana, apontou que um terço dos pacientes que receberam o novo medicamento já tinham superado os dois anos de sobrevivência à doença.

O teste analisou especificamente pacientes com mutações no gene BRCA, que são hereditárias e sabe-se que aumentam as hipóteses de contrair cancro do pâncreas, ovários, próstata e mama.

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Efeito Angelina Jolie

Mutações deste tipo levaram a atriz norte-americana Angelina Jolie a submeter-se a uma dupla mastectomia preventiva, dando origem ao "efeito Jolie", um fenómeno bem descrito na literatura científica e que se caracterizou pelo aumento de intervenções preventivas relacionadas com aquele gene para diminuir o risco de cancro.

A mutação afeta a capacidade natural do corpo de reparar o ADN danificado, o que pode ocorrer por fatores como excesso de luz solar e exposição ao amianto, por exemplo.

"As células normais podem ser capazes de repará-lo, mas as células que têm a mutação não conseguem e logo começam a crescer anormalmente porque têm o seu ADN danificado", disse à AFP a autora principal do estudo, Hedy Kindler, oncologista do University of Chicago Medical Center.

O teste foi realizado com mais de 3.300 pessoas com cancro do pâncreas, identificando cerca de 250 com o gene defeituoso. Um grupo, escolhido ao acaso, recebeu o medicamento conhecido como olaparib e outro grupo, um placebo.

Descobriu-se que o olaparib, desenvolvido pelos laboratórios MSD (Merck Sharp and Dohme) e AstraZeneca com o nome "Lynparza", reduz o risco de progressão da doença em 47% em comparação com o grupo de controlo.

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Em pacientes que receberam o olaparib, a doença ficou controlada durante quase o dobro do tempo em comparação com os pacientes que receberam o placebo.

Suzanne Cole, oncologista do Southwestern Medical Center, que não participou do estudo, disse que a pesquisa representava um grande avanço para os pacientes com cancro do pâncreas metastático.

Kindler citou o caso de um paciente que perdeu o seu irmão antes de saber que sofria do mesmo tipo de cancro. Descobriu-se, depois, que ele tinha a mutação BRCA e foi incluído no teste. "Cada vez que fazemos uma tomografia computadorizada, o seu tumor diminui", disse Kindler.

"Toma o comprimido duas vezes por dia, durante dois anos e meio, ainda está por aí e leva uma vida normal", conclui.

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