As épocas festivas são sempre períodos complicados para os que se sentem mais deprimidos, isolados e/ou sozinhos e, em tempo de pandemia viral de COVID-19, após meses de confinamento e de restrições que têm vindo a fragilizar a saúde mental dos portugueses, antevê-se um final do ano (ainda mais) difícil. "A pandemia aumentou as nossas fragilidades emocionais", garante Teresa Espassandim, psicóloga clínica e coordenadora das equipas que asseguram o atendimento da linha telefónica SNS 24.

"Ainda que, para a maioria, o Natal seja uma época de felicidade, para outros, com os eventuais entraves ao convívio familiar provocados pelo combate à pandemia, pode tornar-se numa fase ainda mais complicada em termos emocionais, podendo fazer crescer cenários melancólicos", defende a representante da Ordem dos Psicólogos Portugueses na Comissão de Acompanhamento da Linha SNS 24, em grande entrevista à edição de dezembro da revista Prevenir, já à venda nas bancas e em versão digital.

Esse estado "também pode estar relacionado com saudades de entes queridos que se perderam ou com um relacionamento familiar menos positivo, o que pode elevar o nível de solidão e tristeza", sublinha Teresa Espassandim, que deixa um conselho aos que necessitarem de apoio psicológico nesta época. "Se se sentir emocionalmente instável, ligue para o SNS 24. Como se prevê um considerável aumento de chamadas no período natalício e nas datas festivas, a linha está a ser reforçada", informa a psicóloga clínica.

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A funcionar há pouco mais de seis meses, o projeto tem-se revelado um apoio determinante para muitos cidadãos nacionais. "A criação desta linha foi um momento histórico. É um serviço fundamental para ajudar os portugueses, assumindo-se como uma resposta às necessidades imediatas face à atual situação, que é de crise e emergência. A sua amplitude tem sido essencial para mitigar problemas de perturbação da saúde mental, pois permite ouvir e ajudar o outro e equilibrar eventuais consequências emocionais", defende a coordenadora das equipas que fazem o atendimento.

"É fundamental que se entenda que esta linha presta um atendimento para situações de crise, não sendo uma espécie de psicoterapia, identificando se a pessoa precisa de apoio externo e que nível de perturbação manifesta. Para isso, o psicólogo tem de perceber o que a pessoa está a sentir, qual o problema e se está em risco de vida", esclarece a especialista. Os casos mais graves são encaminhados para o Centro de Apoio Psicológico e Intervenção em Crise (CAPIC) do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM).

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