O estudo, intitulado "Chemical Signature and Antimicrobial Activity of Central Portuguese Natural Mineral Waters Against Selected Skin Pathogens", foi conduzido em 16 estâncias termais da rede Termas Centro, que apoiou a realização da investigação, analisando os efeitos das águas face às principais bactérias e fungos que afetam a pele.

Em comunicado enviado à agência Lusa, a Termas Centro realça que "as águas minerais naturais portuguesas têm sido cada vez mais procuradas para alívio de problemas de pele, com resultados positivos para quem a elas recorre".

"As indicações terapêuticas das águas minerais portuguesas têm incidido preferencialmente nos sistemas respiratório, reumático e musculoesquelético, existindo, até agora, poucas evidências científicas da eficácia destas águas nos problemas dermatológicos - uma lacuna a que este estudo veio responder", refere a nota.

Para Ana Palmeira de Oliveira, coordenadora da investigação na Universidade da Beira Interior, citada no comunicado, "este estudo confirma o potencial que já se reconhecia às águas minerais naturais da região Centro no tratamento ou suporte de doenças do foro dermatológico, como dermatites ou psoríase”.

"Em Portugal, a informação científica de suporte à sua aplicação clínica em doenças do foro dermatológico é escassa, quando comparada com outros países. Este estudo apresentou-se assim como uma proposta pioneira a nível nacional para investigar a bioatividade das águas minerais naturais portuguesas, validando a sua ação preventiva e/ou terapêutica", sublinha.

Segundo a investigadora, o estudo abre a porta a possíveis aplicações daquelas águas e "permite avaliar ‘in vitro' a bioatividade das diferentes águas termais da região Centro, agrupadas por perfis químicos semelhantes".

"Com esta informação, as estâncias termais poderão posteriormente desenvolver novos produtos, como cosméticos ou dispositivos médicos, detentores de elevado valor acrescentado", explica Ana Palmeira de Oliveira.

Adriano Barreto Ramos, coordenador da rede Termas Centro, também citado no comunicado, sublinha que "estudos científicos como este, que teve honras de publicação numa revista de referência internacional, são fundamentais no caminho da consolidação das estâncias termais como centros preferenciais para quem procura tratamentos de saúde personalizados".

A rede Termas Centro congrega estâncias termais "capacitadas para responder às mais variadas terapêuticas, cujas águas, como se conclui deste estudo, poderão ser a base de novos produtos e tratamentos", realça o responsável.

"As doenças transmissíveis causadas por infeções bacterianas, virais, fúngicas e parasitárias são apresentadas pelas estâncias termais como contraindicações temporárias ao uso das instalações. No entanto, os resultados indicam que a aplicação das águas minerais naturais da região Centro em ambiente doméstico poderá ser uma abordagem interessante a explorar para o tratamento de acne ou outras doenças da pele", frisa Adriano Ramos.

Esta aplicação, de acordo com os investigadores, poderá ser feita em forma de cosméticos ou até de dispositivos médicos, como aconteceu noutros países.

O estudo foi publicado na revista científica "Environmental Geochemistry and Health", órgão oficial da Sociedade Internacional de Geoquímica e Saúde Ambiental.

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