O Sindicato Independente dos Médicos (SIM) e a Federação Nacional dos Médicos (FNAM), que estão hoje a ser ouvidos na Comissão Parlamentar de Saúde, insistiram na necessidade não só de contratar mais profissionais como de compensar devidamente os médicos que há mais de um ano enfrentam a pandemia.

Roque da Cunha, secretário-geral do SIM, frisou a necessidade de fixar os médicos no Serviço Nacional de Saúde (SNS), com melhores condições, e lembrou a necessidade de maior investimento no setor.

Reforçou que é preciso recuperar a atividade atrasada com a pandemia e disse que os médicos de família não deveriam estar a ser 'desviados' da lista de utentes que têm de acompanhar.

“É totalmente inqualificável e ética e moralmente condenável a circunstância de estarem a pensar nos médicos e enfermeiros dos centros de saúde para essa vacinação [covid-19]. Retirando os médicos dos centros de saúde não temos dúvida de que os dados de morbilidade e mortabilidade se vão agravar”, afirmou.

A este respeito, exemplificou que na última semana identificou no centro de saúde onde trabalha dois cancros do cólon e um de mama e alertou: “Não havendo este trabalho [de acompanhamento dos utentes por parte dos médicos de família] a médio prazo teremos um problema grave”.

Maria João Tiago, também do SIM, que é médica de família, contou que só hoje iniciou, com utentes seus, duas terapêuticas para a diabetes. “Qualquer um dos casos já com lesões no órgão”.

A médica disse que os cuidados de saúde primários “têm sido fustigados” e explicou que tem de responder a seis escalas diferentes (para covidários, centros de vacinação e atendimento complementar). Insistiu na necessidade de contratar médicos para os centros de vacinação contra a covid-19.

“Não podem ser os médicos de família”, afirmou a responsável, avisando que sempre que os médicos de família são colocados noutras tarefas, os seus utentes ficam por vigiar.

Pela FNAM, o presidente Noel Carrilho frisou a necessidade de contratar profissionais de saúde, disse que a retoma da atividade será “um desafio para SNS que potencialmente poderá ser ainda mais oneroso do que a assistência à covid-19” e insistiu que a morbilidade e mortalidade não-covid-19 em excesso “serão significativas” e que uma parte das situações não será recuperável.

“Poderíamos ter diminuído as consequências com um SNS mais robusto. Assim houvesse investimento mais adequado”, afirmou.

Noel Carrilho apontou ainda o cansaço dos profissionais – “solicitados de forma continua para esforço extraordinário” – e a “necessidade absoluta” de dar descanso a estes médicos “uma vez revertida esta suspensão direitos médicos”, referindo-se, por exemplo, à marcação de férias.

“Não são situações que se possam perpetuar no tempo até por uma questão de sanidade dos médicos”, disse.

Sobre a área da saúde pública, o dirigente da FNAM disse que é preciso “valorizara a função da autoridade de saúde púbica", considerando que esta é “a melhor altura para avançar com reforma na saúde publica, libertando estes médicos” de funções que nada têm que ver com o seu trabalho efetivo, dando como exemplo as juntas médicas.

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