“O Governo do Reino Unido fez o anúncio sobre as chamadas pontes aéreas, que permitem viajar de e para certos países sem restrições de quarentena, infelizmente sem qualquer consulta prévia com o Governo escocês. Como resultado, ainda estamos a considerar a nossa resposta e as nossas próprias propostas”, disse hoje durante a conferência de imprensa diária sobre a crise do coronavírus.

O ministro dos Transportes britânico, Grant Shapps, afirmou na semana passada que a lista de países com os primeiros ‘corredores’ seria revelada hoje, mas uma porta-voz oficial não confirmou à Lusa se a decisão será anunciada até ao final do dia e o jornal Daily Telegraph adiantou que poderá acontecer só na quarta-feira.

Sturgeon disse que o ministro da Justiça escocês, Humza Yousaf, participou numa reunião esta manhã por videoconferência com representantes das restantes nações do Reino Unido (País de Gales e Irlanda do Norte) para tentar encontrar uma posição conjunta.

Apesar de o executivo de Boris Johnson ter poder sobre as fronteiras do país inteiro, os diferentes governos precisam de aprovar o plano porque está em causa a saúde pública, que é uma das áreas de autonomia regional.

“Temos de ser vigilantes sobre casos que cheguem de fora”, vincou, após anunciar um quarto dia consecutivo na Escócia sem mortes registadas de pessoas infetadas com COVID-19. 

A BBC noticiou no sábado que o Reino Unido vai abrir a 06 de julho corredores de viagem, que permitem aos turistas britânicos evitar a quarentena no regresso ao país, com um conjunto de países europeus.

A emissora precisa que a lista de países deve incluir Espanha, França, Grécia, Itália, Alemanha, Holanda, Bélgica, Finlândia, Noruega e Turquia, mas não Portugal ou a Suécia.

Os países serão agrupados por risco e prevalência do vírus e classificados com as cores dos semáforos para sinalizar os destinos mais e menos seguros.

No domingo, a ministra do Interior, Priti Patel, disse à Sky News que a quarentena, introduzida a 08 de junho, deve ser analisada hoje no âmbito da reavaliação prevista a cada três semanas, mas que o anúncio poderá acontecer mais tarde esta semana.

“Estas medidas não vão entrar em vigor da noite para o dia, elas vão levar tempo, porque parte disso será sujeito a negociações e discussões com determinados países”, explicou.

A quarentena foi imposta para reduzir o risco de casos importados do estrangeiro e ajudar a evitar uma segunda onda do vírus, mas o governo britânico considera ter controlado a pandemia e iniciou um desconfinamento faseado.

O levantamento da medida tem sido motivo de especulação e pressão dos setores do turismo e transportes, fortemente afetados pelas restrições de viagem durante a pandemia COVID-19.

As companhias aéreas reduziram drasticamente os serviços desde meados de março, quando muitos países fecharam as fronteiras e o Ministério dos Negócios Estrangeiros britânico emitiu um conselho por tempo indefinido contra “todas as viagens não essenciais em todo o mundo”.

As transportadoras têm vindo a anunciar a reativação gradual das rotas na Europa e agências de viagens britânicas indicaram ter recebido nos últimos dias um grande número de reservas para o estrangeiro.

O Reino Unido é o principal mercado emissor de turistas para Portugal, tendo representado 19,2% das dormidas de estrangeiros em 2019 e vindo a registar sucessivos crescimentos desde 2013, apenas interrompidos em 2018, de acordo com dados do INE.

Os destinos preferenciais dos hóspedes britânicos foram o Algarve (63,4% das dormidas do mercado), a Madeira (18,5%) e a Área Metropolitana de Lisboa (10,8%).

O Reino Unido registou até hoje 43,575 mortes (em 311.151 casos de infeção) durante a pandemia covid-19, o maior número na Europa e o terceiro maior no mundo, atrás dos EUA e Brasil.

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