26 de junho de 2014 - 13h01

Uma equipa internacional liderada por um pesquisador da Universidade de Kiel, na Alemanha, admitiu hoje a possibilidade de o cancro "nunca ser completamente erradicado", por a doença ser "tão antiga quanto a vida multicelular na Terra".  

Citado pela revista Nature Communications, Thomas Bosch, cuja equipa apresentou os mais recentes resultados de uma pesquisa sobre a origem do cancro, afirmou que "o cancro é tão antigo quanto a vida multicelular na Terra e provavelmente nunca será completamente erradicado".   

Segundo a publicação, há anos que Thomas Bosch e os seus colegas fazem investigações à volta do tema e agora fornecem provas de que "os tumores, de fato, existem em animais primitivos e evolutivos".  

"Agora nós descobrimos pólipos portadores de tumor em duas espécies diferentes de hidra, um organismo muito semelhante aos corais", afirmou Thomas Bosch, que estuda as células estaminais e da regulação do crescimento de tecidos em Hidra, um pólipo de idade filogenética.  

A hidra é um hidrozoário com o corpo em forma de pólipo que vive na água doce, preferencialmente em águas frias e limpas, presas por uma extremidades a uma rocha ou a vegetação aquática.  

Cancro mais antigo que a humanidade

Utilizando métodos e bases de dados bio informacional, os cientistas Tomislav Domazet-loso e Diethard Tautz do Instituto Max Planck de Biologia Evolutiva em Plön, que há anos também têm investigado a origem do gene do cancro, e que participaram no estudo, anunciaram hoje ter feito uma descoberta inesperada.  

"Os nossos dados previam que os primeiros animais multicelulares já tinham a maior parte dos genes que podem causar cancro em seres humanos", disse Tomislav Domazet-loso, embora a publicação científica considere que, até agora, não há evidências de que estes animais possam, na verdade, sofrer de tumores.  

Segundo a publicação, também não há evidências de que a compreensão dos mecanismos moleculares de formação de tumores nestes animais seja simples.

A equipa de investigadores também fez o rastreio da causa
celular dos tumores ao longo de todo o eixo do corpo e, pela primeira
vez, foi capaz de demonstrar que as células estaminais, que são
programadas para a diferenciação sexual, acumulam-se em grandes
quantidades e não são removidas, naturalmente, com a morte celular
programada.   

Segundo a Nature Communications, estes tumores afetam apenas a hidra feminina e lembram cancros de ovário em seres humanos.  

"Quando
realizamos análises moleculares mais detalhados dos tumores encontramos
um gene que se torna ativo dramaticamente no tecido tumoral e que
normalmente impede a morte programada da célula", explicou Alexander
Klimovich da Universidade de Kiel e coautor do estudo.  

Os
cientistas demonstraram igualmente que as células tumorais são
invasivas, ou seja, se forem introduzidas num organismo saudável podem
provocar o crescimento do tumor.   

"A característica invasiva
das células cancerosas é também uma característica de idade evolutiva",
considerou Alexander Klimovich.   

"A nossa pesquisa reconfirma
que os animais primordiais como pólipos Hidra fornecem uma enorme
quantidade de informações para nos ajudar a entender os problemas tão
complexos como o cancro. O nosso estudo também faz com que seja
improvável que ´a guerra contra o cancro' proclamada em 1970 possa
jamais ser vencida. No entanto, conhecer as origens do seu inimigo é a
melhor maneira de combatê-lo e ganhar muitas batalhas", disse, no
entanto, Thomas Bosch.  

Por Lusa

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