27 de fevereiro de 2013 - 14h11
A equipa de investigadores do Serviço de Microbiologia do Hospital 12 de Outubro de Madrid conseguiu bloquear a entrada dos vírus VIH e ébola nas células do sistema imunitário para impedir que se espalhem por todo o corpo.
O trabalho, em colaboração com a Universidade de Oxford e com o Centro Superior de Investigações Científicas em Sevilha, foi apresentado na terça-feira pelo investigador do 12 de Outubro Rafael Delgado.
O vírus VIH, responsável pela SIDA, infetou dezenas de milhões de pessoas em todo o mundo, e o ébola, embora centrado nalgumas zonas de África, já afetou milhares de pessoas e é o patogénico humano “mais virulento” conhecido, com uma alta taxa de mortalidade.
A investigação, na qual os cientistas estão a trabalhar há 10 anos, encontra-se na primeira fase, sendo o passo seguinte o estudo com pequenos animais.
A criação de um “falso vírus” do VIH e do ébola a partir de um vírus inofensivo permitiu o avanço deste estudo, disse Rafael Delgado, explicando que apenas meia dúzia de laboratórios em todo o mundo têm instalações adequadas para trabalhar com o ébola, o que torna a investigação muito cara.
Aplicando ao vírus inócuo as partículas de açúcares que se encontram na camada externa do VIH ou do ébola e que lhes permite entrar nas células consegue-se enganar estas, fazendo-as crer que foram contagiadas pelo vírus original, adiantou o cientista, segundo a agência noticiosa espanhola EFE.
Depois do “falso vírus”, criado através de técnicas de nanotecnologia, entrar na célula, consegue-se bloquear a entrada do VIH e do ébola nas células do sistema imunitário e impedir que se espalhem pelo organismo.
Este avanço pode ter aplicações não só em tratamentos antivirais, como na vacinação ou em quimioterapias, informou a EFE.
Lusa

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