É carne, tem proteína animal, mas não tem vestígios de animais. Chama-se carne celular e deverá chegar aos menus de alguns restaurantes de luxo ainda em 2018. A notícia é avançada pelo jornal Público.

A Just é uma empresa de alimentação sustentável e saudável que está a desenvolver carne em laboratório e que foi criada pelo norte-americano Joshua Tetrick.

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"A forma como produzimos carne hoje não é sustentável", comenta Vítor Espírito Santo, engenheiro biomédico português de 33 anos que em fevereiro se mudou para os Estados Unidos para trabalhar naquela startup.

A empresa tenciona entrar no mercado este ano, primeiro por restaurantes com estrela Michelin, com o intuito de testar a reação dos consumidores. Só em 2020 deverá estar disponível em lojas e supermercados.

O maior obstáculo à comercialização da carne criada em laboratório tem sido "financeiro". Por isso, para encolher as contas, a Just optou por substituir os componentes de origem animais do meio de cultura por proteínas e extratos de origem vegetal.

O primeiro hambúrguer proveta do mundo, criado por uma equipa de cientistas holandeses, com células estaminais de vaca, tinha um custo insustentável: 140 gramas custaram perto de 250 mil euros.

Artificial ou não?

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Para Vítor Espírito Santo, formado na Universidade do Minho, o termo "carne artificial" não é o mais adequado porque não se trata de uma "falsificação da proteína animal", mas sim "real meat". Por isso, a melhor terminologia será mesmo "carne celular" ou "carne de laboratório".

Mas como é que esta carne é produzia? São extraídas - sem qualquer sofrimento para o animal - células da raiz de penas de Ian, uma espécie de galinha branca.

Depois, em laboratório, os cientistas multiplicam esse volume de células vivas a partir de uma solução de nutrientes que inclui proteínas, açúcares e vitaminas e obtêm-se essa carne.

O produto obtido é, para já, "uma pasta celular que se assemelha muito a carne picada" e que pode ser usada para "fazer uma salsicha, um chouriço ou um nugget", diz Vítor Espírito Santo.

Estaremos disponíveis para provar esta novidade? Segundo um inquérito do jornal britânico "The Guardian", levado a cabo em 2013, 69% das pessoas estariam disponíveis para provar carne criada em laboratório, escreve o Público.

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Mais concorrentes

Mas a Just não é a única empresa neste mercado. A Mosa Meat, uma empresa holandesa que se dedica ao desenvolvimento de carne artificial, anunciou este verão que os seus hamburgueres deverão estar à venda nos restaurantes em 2021.

Esta startup de Maastricht está há cinco anos a desenvolver carne livre de animais a partir da extração de células estaminais da vaca. O processo é semelhante ao que se utiliza para reparar orgãos ou tecidos danificados.

O objetivo da Mosa Meat é alcançar a produção em grande escala nos próximos três anos e colocar hambúrgueres no mercado a um dólar ou menos de um euro.

A FDA, o regulador norte-americano do setor dos medicamentos e alimentação, diz que há motivos para acreditar que a carne artificial poderá ser consumida sem preocupações se forem cumpridas todas as normas de segurança.

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