Será possível diagnosticar a doença de Alzheimer, distinguindo-a de outras demências neurodegenerativas que afetam o cérebro, com uma simples análise ao sangue? A importância de um diagnóstico diferencial preciso é tanto maior quando se sabe que foi aprovado nos EUA o primeiro medicamento com potenciais efeitos modificadores daquela doença. E outros podem estar a caminho.

Um grupo de investigadores da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) analisou o nível de precisão de vários biomarcadores sanguíneos para utilização no diagnóstico da doença de Alzheimer, o tipo de demência mais comum, seguida da Demência com Corpos de Lewy e da Demência Frontotemporal.

“O diagnóstico preciso de doença de Alzheimer continua a ser um desafio na prática clínica, sobretudo nas fases iniciais, uma vez que os vários tipos de demência têm características clínicas e de imagem sobreponíveis”, explica João Massano, investigador da FMUP e um dos autores do estudo, publicado no Journal of Geriatric Psychiatry and Neurology.

Até agora, alguns biomarcadores têm sido usados para ajudar no diagnóstico, mas os procedimentos são muito invasivos, como a punção lombar para análise do líquido cefalorraquidiano, ou são muito caros e de acesso limitado, como no caso da PET (tomografia de emissão de positrões).

Os investigadores têm, por isso, procurado biomarcadores mais acessíveis, não invasivos e custo-efetivos para o diagnóstico e monitorização dos diferentes tipos de demência.

De acordo com esta revisão de estudos a nível internacional, existem vários biomarcadores sanguíneos considerados “excelentes” a distinguir a doença de Alzheimer da degenerescência frontotemporal (a p-tau181, a p-tau217, a sinaptofisina, a sinaptopodina, o GAP43 e a calmodulina). Os melhores biomarcadores para distinguir a doença de Alzheimer da Demência de Corpos de Lewy são o miR-21-5p e miR-451. Outros biomarcadores revelaram também a sua utilidade, podendo ser usados em conjunto.

“A utilização de biomarcadores sanguíneos como alternativa a outros exames tem grande potencial, incluindo em unidades de cuidados de saúde primários, permitindo uma triagem dos doentes e aliviando, assim, a pressão sobre os hospitais”, explicam os investigadores.

Por outro lado, “estes biomarcadores podem contribuir para uma melhor seleção dos medicamentos e para uma maior eficácia dos tratamentos”. A sua utilização na investigação é igualmente tida como promissora.

Além de João Massano, este estudo é assinado por Filipa Santos, Verónica Cabreira, todos da FMUP, e Sara Rocha da iLoF – Intelligent Lab on Fiber.

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