Certamente que é sensível aos perfumes e gosta de sentir os aromas que a rodeiam. E quando alguém lhe dá a cheirar uma flor muito perfumada dirá, sem dúvida, "Hum, cheira bem!". As fragrâncias lembram-nos um determinado momento do passado, vivido na primeira pessoa, ou simplesmente imaginado, e que nos é devolvido.

Ao recriarem bons momentos e experiências, os perfumes envolvem-nos numa atmosfera subtil, de uma dimensão sensorial desconhecida, transportando-nos para o paraíso dos aromas. A partir daí, conseguimos mesmo intensificar a nossa percepção relativamente a outras sensações, e podemos desfrutar da vida com muito mais prazer.

Um pouco de história

Egipto
A arte da elaboração do perfume nasceu no Egipto e transpôs os limites dos tempos e das pirâmides, transformando-o num acessório apreciado pelos ricos mortais, ao invés de ser um privilégio reservado apenas aos deuses e aos mortos. Os sacerdotes transformaram aos poucos os seus templos em autênticos laboratórios de perfumes artesanais. Por volta de 2000 a.C., os faraós e os membros importantes da corte foram os primeiros clientes. Depois, o uso do perfume difundiu-se, trazendo um agradável toque de frescura ao clima quente e árido do Egipto.

Idade Média
Nesta época, os perfumes estavam reservados aos ofícios religiosos. Foram as cruzadas que trouxeram para o Oriente o hábito de perfumar. A Idade Média foi também o tempo dos alquimistas, fechados dentro dos seus laboratórios, esforçando-se por descobrirem o Elixir da Longa Vida. Foi durante estas pesquisas que descobriram que o álcool podia servir de base às essências vegetais. Após esta descoberta primordial, os perfumes à base de álcool invadiram gradualmente o mercado.

Europa
O perfume foi introduzido em toda a Europa durante o Renascimento, a partir de Espanha. Foi em França, onde se cultivavam flores, que a partir do século XIV ocorreu o grande desenvolvimento da perfumaria, permanecendo desde então como o centro europeu de pesquisas e comércio de perfumes.

Novas tendências
- Austeridade elegante e luxo discreto.
- Perfumes que cruzam notas tradicionalmente masculinas ou femininas.
- Brumas perfumadas com propriedades antienvelhecimento.
- Cada vez mais celebridades lançam a sua própria fragrância, normalmente inspiradas nos seus gostos pessoais.
- Vetiver é um dos ingredientes que tem surgido como uma nota chave em lançamentos recentes. Derivado da raiz de uma erva nativa da Índia, o seu perfume é amadeirado. Embora seja tradicionalmente associado às fragrâncias masculinas, actualmente é também muito utilizado em fragrâncias femininas.
- Na arte de perfumar está ainda na moda a utilização de gálbano, derivado da resina de um grande número de espécies de plantas, com um cheiro verde e fugaz. Para além disso, os almíscares, mais leves e limpos, estão também a ganhar terreno.
- Oudh, um ingrediente utilizado na perfumaria do Médio Oriente, que recentemente começou a aparecer associado a marcas de perfumes ocidentais.
- Um ingrediente raro e de luxo em perfumaria, dynamone, traz ainda sensualidade aos novos aromas. Um componente aromático conhecido pela sua grande força difusora e pela sua durabilidade.

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Outras notas que são tendência:
- Novos acordes florais, especialmente em torno das centenas de espécies de orquídeas perfumadas.
- Novas notas exóticas de madeiras raras ou ameaçadas, como teca, tamboti, hinoki, cerejeira e jacarandá.
- Notas gourmet como crème brûlée, arroz quente, leite quente, pão fresco, café e whisky de malte.
- As especiarias, nomeadamente a pimenta.
- Notas iridescentes de talco e de pó de arroz.
- Aromas doces/salgados que combinam notas como o figo e o caviar.

Principais Famílias Olfactivas

Orientais Florais
Geralmente compostas por essências de baunilha, patchouly, ylang ylang. Traduzem-se em perfumes sofisticados, fortes, sensuais e misteriosos.

Couros
Fragrâncias secas, com características dominantes, quase sempre baseadas em matérias-primas como madeiras, couros, musgos e tabaco, e que originam perfumes masculinos, secos e marcantes.

Aromáticos secos e frutados
Fragrâncias híbridas oriundas de condimentos, como o estragão, o cominho e o manjerico, e de especiarias, como o cravo, a canela, a pimenta e a noz-moscada. Traduzem-se em perfumes quentes e que transmitem sensação de liberdade e natureza.

Cítricos florais ou frutados
As matérias-primas são extraídas de cascas de frutas como lima, limão, laranja, tangerina, entre outras. Originam perfumes frescos, de odor cítrico ou acre.

Amadeirados
Elaborados a partir de matérias-primas leves e frescas, normalmente extraídas de madeira, às quais se juntam a mistura de álcool, tubérculos e raízes. São muito utilizados em fragrâncias masculinas. Ex.: sândalo, cipreste, pinho, vetiver, cedro.

Chipre florais
As matérias-primas são oriundas dos musgos, quase sempre do carvalho. São mais clássicos e sofisticados e geralmente apreciados pelo público masculino.

Aquática
Os aromas que têm uma saída aquosa transmitem uma sensação de espaço, de oxigénio. São o caso do melão e da melancia, cujos aromas surgem normalmente nas notas de cabeça.

Florais
São os aromas mais conhecidos, mais populares e mais identificáveis. Por exemplo, rosa e jasmim. Esses aromas surgem normalmente nas notas de cabeça.

Raros:

Animal Musk
Almíscar feito da secreção de uma glândula do veado. É forte, é másculo. Hoje em dia é apenas usado o sintético.

Âmbar
Actualmente sintético, era extraído do intestino do cachalote, com odor meio almiscarado, meio amadeirado.

Civet
Proibido hoje em dia, o aroma era extraído da glândula sexual do civeta, um gato selvagem que vive na África e na Índia. Um odor fecal, com extraordinário poder de fixação e sensualidade. Esse aroma é hoje sintético.

Aldeídicas
São os cheiros metálicos (de alumínio), de origem totalmente química. São agressivos mas quase não aparecem.

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Notas olfactivas

Assim como uma melodia é composta por diversas notas musicais, um perfume é a soma de diferentes matérias-primas, que interagem de maneira diferente, de acordo com o período de duração do perfume. O conjunto dessas matérias-primas forma a fragrância que é a principal matéria-prima do perfume. As famílias olfactivas são as sensações olfactivas que sentimos durante as diversas fases de utilização do perfume. As famílias estão divididas em três partes:

Notas de cabeça ou de saída
São as primeiras sensações que experimentamos ao aplicar um perfume. Elaboradas para despertar o interesse, são mais leves e muito voláteis. Geralmente são essências à base de laranja, limão, bergamota, pinho, eucalipto, lavanda e outras. São notas sentidas nos primeiros 15 minutos.

Notas de coração ou de corpo
São o centro, a alma e a personalidade do perfume. Menos voláteis, evaporam mais devagar, são notas que expressam o tema principal da fragrância. Notas mais encorpadas e densas como as de flores, frutos, folhas e especiarias, são sentidas assim que o perfume seca na pele. São sentidas entre 15 minutos a 4 horas após passar o perfume.

Notas de fundo ou de base
As notas de fundo são as responsáveis pela fixação do aroma na pele, normalmente são oleosas e as mais usadas são extractos amadeirados e de origem animal. São notas que definem o cheiro que se difunde na pele. Pouco voláteis, os ingredientes evaporam lentamente. É o último acorde a ser percebido e o que permanece por mais tempo (após 4 horas da aplicação do perfume).

A não perder...

Anéis perfumados
Entre os elementos mais interessantes na indústria da perfumaria encontram-se as maneiras como as fragrâncias contam histórias numa série de formas artísticas e interpretativas. Pulseiras, colares e anéis perfumados estão a ficar populares no mercado. Deixe-se fascinar pelos anéis de perfume sólido. Assim, não há desculpas para não ter o perfume sempre bem à mão...

iPerfumer
Aparentemente, o poder da Internet estendeu-se à indústria de perfumes. Se estiver indecisa quanto ao perfume que deve comprar já pode recorrer à ajuda das novas tecnologias. Foi recentemente lançado o iPerfumer – um mecanismo criado por Givaudan para o iPhone com recomendações para a hora de escolher o seu perfume. Esta aplicação utiliza um processo que envolve a colocação de questões ao utilizador sobre o seu estilo de vida, para o ajudar a escolher o seu perfume preferido.

Este dispositivo assume que, por exemplo, se alguém gosta do ar-livre também irá gostar de aromas frescos. Para além disso, pede ao utilizador que classifique a sua preferência em relação às notas olfactivas usualmente presentes nos perfumes. E se o utilizador não conhecer o cheiro de algumas daquelas essências? Então basta clicar no botão “Ajuda” para ter acesso à sua descrição.

Com esta aplicação poderá ainda classificar os perfumes que já utilizou, ou está a utilizar, para receber informação sobre perfumes alternativos. Estas classificações são armazenadas para que os utilizadores possam consultar a popularidade de uma fragrância em particular. Com informação de cerca de 4000 fragrâncias, masculinas e femininas, armazenadas na sua base de dados, iPerfumer é uma excelente ferramenta para quem gosta de tecnologia e quer saber mais acerca de perfumes.

Edição: Patrícia Velez Filipe
Fonte: Os aromas que curam, de Jocelyne Aubry – Publicações Prevenção de Saúde
Agradecimentos: Christian Louis, mestre perfumista; Gérald Ghislain, mestre perfumista

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