É na família que mais temos espaço para crescer, para nos encontrarmos e, regra geral, é na família que mais somos capazes de amar. Apesar disso, por toda a sua essência e intensidade, é também na família que mais existe espaço ao conflito e às mágoas.

Na verdade, é por ser na família que mais expectativas depositamos e que mais exigências fazemos, que também mais nos magoamos e mais nos sentimos vulneráveis. Assim, é essencial olharmos para a família em toda a sua magnitude e termos consciência que se queremos uma família feliz e harmoniosa, precisamos de procurar desenvolver algumas competências em família e precisamos de forma ativa procurar essa harmonia e bem-estar.

Para isso, devemos começar por:

1. Permitir o contraditório

Numa família é essencial que haja espaço para opiniões, escolhas e ações divergentes. Não é porque se é família que todos precisam de pensar ou agir de forma semelhante. O contraditório vai permitir que cada um tenha espaço para Ser, de acordo com a sua essência, de forma autêntica e genuína. Assim, este espaço para o contraditório precisa sempre de coexistir a par com a tolerância em relação às escolhas e formas de Ser de cada um.

2. Ser colo emocional

Uma família precisa também de ser um espaço de segurança e uma âncora. Se numa família houver espaço para as emoções, para partilhar dificuldades, preocupações e conquistas, de forma acolhedora e serena, os laços saem fortalecidos e o verdadeiro sentido de família cumpre-se.

3. Comunicar as necessidades

É quando conseguimos ouvir as necessidades dos outros e conseguimos partilhar as nossas necessidades, que temos espaço para nos sintonizarmos verdadeiramente em família. Porque um dos grandes desafios de uma família prende-se com a capacidade de comunicar e de abrir espaço a comunicação tolerante e saudável entre todos.

Nunca nos esqueçamos que cada família tem as suas características. Cada família é única e singular. No entanto, para que uma família o possa ser no verdadeiro sentido da palavra - e possa ser um lugar saudável e seguro para todos - é preciso que exista espaço para tudo aquilo que cada um é. É necessária tolerância e conforto emocional.

Um artigo das psicólogas clínicas Cátia Lopo e Sara Almeida, da Escola do Sentir.