A 15 de março, o grupo de restauração José Avillez tomava uma decisão impensável algumas semanas antes, encerrar temporariamente mais de uma dezena de estabelecimentos, face à crise pandémica associada à COVID-19. Uma medida que antevia o estado de emergência, entretanto declarado a 19 de março e que decretou o encerramento de todos os restaurantes nacionais.

Simpósio pensa presente e futuro da restauração. “Isto foi uma verdadeira bomba que caiu”
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Dois meses volvidos, o chefe de cozinha com duas estrelas Michelin (restaurante Belcanto, em Lisboa) e também empresário, com centenas de colaboradores a cargo, desabafou nas redes sociais, em seu nome, mas também das centenas de profissionais do setor: “Precisamos de ajuda! Somos 240 mil pessoas na restauração em Portugal. Isenção de TSU [Taxa Social Única] até final de 2020. IVA a 6% até final de 2021”. Recorde-se que o IVA da restauração se situa atualmente na casa dos 13%.

Agora, Avillez dá expressão às ansiedades de outros colegas do setor como aqui destacámos, face aos custos acrescidos de operação decorrentes das orientações já anunciadas pela Direção-Geral da Saúde para a reabertura dos estabelecimentos a 18 de maio. Isto depois de perto de 60 dias de encerramento e com as atividades reduzidas ao take away e entregas ao domicílio. No caso de Avillez, serviços disponibilizados nos espaços Bairro do Avillez e a Pizzaria Lisboa.

“Queremos voltar a abrir. Queremos continuar a cozinhar e a cuidar. Queremos acreditar que um dia as coisas vão ser como eram. Queremos mostrar o que Portugal tem de melhor, como temos feito nos últimos anos.  Queremos ser o ponto de encontro de portugueses e estrangeiros, de famílias e amigos”, desabafa Avillez no post publicado a 10 de maio.

Recorde-se que já a 5 de maio, quando da sua participação no simpósio online “Sangue na Guelra”, o chefe de cozinha revelava a sua preocupação e apreensão enquanto empresário do setor da restauração, mas também como empresário.

“Como homens de negócios temos [empresários da restauração] de pensar sobre o que vem a seguir”. Na mesma conversa com o colega de profissão, o chefe Dan Barber (restaurante Blue Hill, em Nova Iorque”), Avillez sublinhava a resiliência dos profissionais do setor. Na sua intervenção recordou o esforço para “manter todos os nossos colaboradores”, muitos deles em casa.

O chefe de cozinha do restaurante Belcanto, destacou o papel do setor na sobrevivência dos pequenos produtores nacionais. “Muitos perderam 90% dos clientes após o fecho dos restaurantes e mercearias finas. Estamos a procurar criar um canal de vendas, diretamente às pessoas em suas casas”. José Avillez deu um exemplo: “há duas semanas começamos a promover um produtor de carne transmontano. Em dois teve mais de três centenas de pedidos”. Na mesma altura recordou a responsabilidade social dos restaurantes e o apoio que está a dar a populações carenciadas em Lisboa, com a distribuição de refeições.

Agora, na mensagem que publica na sua conta de Instagram, Avillez, revela a mesma perseverança: “queremos continuar a trabalhar no duro, sem medo de investir na nossa cidade no nosso País”, embora lance o apelo de ajuda.

Ljubomir Stanisic: “Queremos sobreviver. Mas, para isso, precisamos de ajuda!”

A par de Avillez, também Ljubomir Stanisic veio publicamente, na sua conta de Instagram, apelar a medidas governamentais que permitam a sobrevivência do setor: “Queremos sobreviver. Mas, para isso, precisamos de ajuda!”, reiterou.

O chefe de cozinha dos restaurantes “100 Maneiras” e “Bistro 100 Maneiras”, ambos na capital, escreveu que “não queremos combater. Não nos queremos opor. Não queremos politizar. Não queremos ir contra a maré, antes ajudar a remar a favor dela. Queremos abrir. Meter a chave à porta e rodá-la. […] Queremos alimentar. A nós, aos nossos, aos outros”.

Recorde-se que mesmo antes do fecho dos restaurantes, em março último, Ljubomir assumiu uma atitude de duras críticas ao Governo por protelar a decisão de encerrar os restaurantes face à crise pandémica provocada pelo COVI-19.

"Uso esta arma da visibilidade, para pedir em meu nome, em nome da minha empresa, dos meus empregados, da minha família, mas também em nome de todos os chefes de cozinha e empresários de hotelaria que estão a sofrer como nunca antes sofreram. Estamos em agonia!", afirmava a 12 de março. Três dias depois o chefe de cozinha, estrela mediática no programa de televisão “Pesadelo na Cozinha”, liderava o movimento #Tomates, que exigia o encerramento dos restaurantes.

Agora, a uma semana da reabertura Ljubomir apela: “Está na hora de receber. Porque nós daremos tudo a qualquer hora!”

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