"Ficar na memória das pessoas". É desta forma que o Chefe António Amorim se refere à sua doce obra, criada quando tinha um restaurante em Torres Vedras, o A, como forma de homenagear um dos doces mais tradicionais da região: o pastel de feijão.

A sobremesa tornou-se um caso sério de popularidade e cresceu para lá das paredes do próprio restaurante. Num concurso promovido em Torres Vedras, este pastel de feijão ganhou o primeiro prémio e o feedback dos clientes motivou uma mudança.

O pastel "era bom demais para estar fechado em Torres Vedras"

De uma simples sobremesa nasceu todo um conceito. O pastel "teve toda a notoriedade que eu idealizava quando estava a desenvolver [a receita] e, pela recetividade do público, soube logo que tinha de ter outra projeção do produto e levá-lo a outros horizontes", explicou António Amorim, em declarações ao SAPO Lifestyle, acrescentando que muitos clientes lhe diziam que o pastel "era bom demais para estar fechado em Torres Vedras".

Com uma larga experiência como Chefe de cozinha - além do Restaurante A passou pelas cozinhas do Sana Lisboa Hotel, foi Chefe consultor do El Clandestino, no Príncipe Real, e é Chefe executivo do Pão à Mesa, também no Príncipe Real e no Guaka, em Faro - a aventura no mundo das sobremesas não assusta António Amorim que se sente confortável nos dois registos.

Desde maio que é na Rua dos Remédios, como quem sobe do Museu do Fado, que se encontra esta fábrica de decoração minimalista, mas com detalhes que saltam à vista. Seja o quadro de ardósia onde já não cabe nem mais uma dedicatória, sejam o candeeiro feito a partir de tachos de cobre, que cai do tecto, ou a cozinha aberta onde conseguimos ver tudo o que está a acontecer.

Um espaço simples, e não muito grande, onde a música jazz convive com o badalar dos sinos da igreja que vão dando sinal a partir da rua, ou mesmo com o assobio típico do amola-tesouras, que passa por ali. Afinal, estamos em Alfama, um dos bairros mais típicos de Lisboa e que por isso atrai cada vez mais turistas, que vão entrando e saindo da loja. Não é um café para fazer sala, nota que nos é dada logo pelo tamanho do espaço. Mas é um lugar onde a magia acontece.

A personagem principal é o pastel de feijão, apesar de ser possível beber o típico café ou consumir um dos croissants folhados que vemos no expositor. Esqueça o bolo redondo, que às vezes é polvilhado de açúcar. Aqui vai encontrar uma outra versão desta receita típica de Torres Vedras. Uma verdadeira inovação em forma de doce.

Para começar, o bolo é preparado na hora de servir, o que lhe confere desde logo uma ideia de frescura. As duas folhas de crocante são colocadas na hora pelas mãos do Chefe António Amorim, que nos apresenta o bolo numa caixa personalizada. O tamanho e o formato também é em tudo diferente do habitual, sendo um pastel de dimensões generosas, retangular, mas que cabe perfeitamente numa mão.

Esta fábrica de pastéis de feijão é um caso sério para quem quer evitar doces

A primeira dentada é uma experiência gastronómica: o pastel não é seco, muito pelo contrário, derrete-se na boca, e apesar de ter na sua composição 60% de feijão, é o sabor da amêndoa que sobressai. O crocante de cor caramelo é realmente estaladiço e o recheio pode confundir-se com a textura de um doce conventual. A receita fica no segredo dos deuses mas é certo que leva feijão, ovo e amêndoa.

No crocante, que leva muito pouca farinha, conseguimos descobrir um outro sabor. Mas não queremos estragar a surpresa e se quiser saber qual é, terá mesmo de ir experimentar. Uma verdadeira tentação para quem aprecia o mundo dos doces.

Esta fábrica de pastéis de feijão é um caso sério para quem quer evitar doces

E não estamos a ser exagerados. Prova disso foi o facto de, no momento em que se degustava esta sobremesa, ter entrado uma cliente que veio de propósito à Fábrica Pastel de Feijão para comprar uma embalagem de pastéis, a pedido de uma amiga que tinha provado este doce durante um período experimental em que o conceito esteve no Oeiras Parque. Ou a avaliação de cinco estrelas que têm na página oficial do Facebook, com perto de 70 críticas.

O preço unitário deste pastel é 2,50€. Se optar por levar uma embalagem de quatro o custo é 10€ e se levar uma caixa de seis o preço é de 12€. Mas a oferta não fica por aqui. Se um dia pensar que esta sobremesa pode dar um bolo de aniversário inovador, a verdade é que já existe essa possibilidade. O preço do Pastel de Feijão XL varia entre 25€, sozinho (simples, sem cobertura) e os 30€, acompanhado (com cobertura de frutos vermelhos).

Esta fábrica de pastéis de feijão é um caso sério para quem quer evitar doces

Uma doce sugestão para quem quiser aproveitar e passear um pouco por um dos bairros mais típicos de Lisboa. Mas siga o nosso conselho: deixe o carro em casa e vá de metro. Afinal, estamos a falar de Alfama, onde o estacionamento não é muito abundante.

O quê: Fábrica do Pastel de Feijão

Onde: Rua dos Remédios, 33, 1100-441, Lisboa, Portugal

Contacto: +351 967 771 296

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